08 de julho de 2026
Articulistas

Sempre é tempo

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

"Você até pode ter um bom ano. Difícil é viver um grande dia. É preciso coragem para encarar os minutos. E admitir que são pouco aproveitados, coitados! Preferimos a abstração e a utopia de um balanço anual conformista. "Até que foi um bom ano". E depois: "Esse ano será melhor".

Vamos lançar a campanha "Salvem os Minutos!". Presidentes de nações serão obrigados a se posicionar já! Artistas darão as mãos para cantar o coro gospel da salvação. Publicitários vão faturar em nome da boa causa que não pode esperar. Religiosos lançarão preces por minutos de paz. Casais faltarão ao trabalho por minutos de amor.

Com seus ponteiros arrependidos, relógios pedirão perdão às horas. Estará extinto o "depois". O "agora" será a bola da vez. Até a incidência de crimes vai cair de madura. Porque quem faz o mal não roubará mais a atenção de ninguém.

Todos estarão muito ocupados salvando seus próprios segundos. A vida não passará mais num piscar de olhos. E contar até dez será estresse do passado. Que tenhamos, enfim, muitos anos extraordinários. Feitos de grandes dias por instantes melhores."

O texto acima é meu, e não é de hoje. Mas achei apropriado compartilhar nesse tempo sem tempo que vivemos. Em meio ao ritmo alucinante de nossos compromissos, vale parar e refletir "de quando em vez", como se dizia antigamente.

Também achei apropriado que o texto acima visse a luz dos nossos dias de guerra. O tempo é precioso demais. A vida, como já disse o poeta, é aquilo que acontece enquanto estamos fazendo planos. Pensando bem, melhor traçar menos planos para construir mais dias intensos de paz.

O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC