Deolinda de Farias está em busca de um rosto que mal teve tempo de memorizar. Do município de Abatiá, no norte do Paraná, ela tenta encontrar seu filho, Valdir Aparecido do Nascimento, que não vê há exatos 40 anos.
As pistas obtidas pela família até agora apontam que o homem esteja em Bauru, ainda solteiro e trabalhando no comércio. Ele teria sido trazido à cidade pelo casal que o adotou, a quem Deolinda entregou o filho com poucos dias de vida.
Há 40 anos, a dona de casa vivia na zona rural do município de Andirá (PR) e já tinha outros cinco filhos – Jonairton, Jonael, Luiz Antonio, Dulcelina e Setembrina – quando ficou viúva. Pouco tempo depois, manteve um rápido relacionamento com outro homem e acabou ficando grávida.
Pressionada pela família, se viu forçada a entregar Valdir, recém-nascido, a um casal que vivia em Bandeirantes, distrito de Sertãozinho (PR). Meses depois, em uma visita, viu o rosto do filho pela última vez. “Ela nunca se esqueceu dele e, toda vida, manteve o desejo de reencontrá-lo. Mas nunca levou esse desejo adiante porque tinha medo de ser rejeitada”, conta o primogênito da dona de casa, Jonairton Izalino de Farias, 47 anos.
O encorajamento para tentar reencontrar Valdir (ou Waldir) veio quando Deolinda descobriu estar com câncer de mama, há três meses. A doença, que lhe trouxe a sensação próxima da morte, serviu de estímulo para que a dona de casa tentasse localizar o filho a tempo.
Submetida a uma mastectomia, Deolinda, aos 75 anos, ainda deverá enfrentar longas sessões de quimioterapia, mas parece estar disposta a enfrentar duas batalhas ao mesmo tempo: a da luta contra o câncer e em prol do filho perdido.
A primeira pista obtida pela força-tarefa mobilizada pela família foi dada por um morador de Sertãozinho, que, quatro décadas atrás, comandava uma farmácia no distrito.
“Por ser comerciante, ele conhecia todo mundo e comentou com a gente que o casal tinha se mudado para Bauru”, afirma Jonairton. Ele conta que o irmão caçula nasceu em 2 de novembro de 1973, em Andirá (PR), e foi adotado por um homem chamado José Aparecido do Nascimento, conhecido como José Piauí.
Durante as buscas por indícios do paradeiro de Valdir, a família conseguiu localizar uma das netas de José, sobrinha do parente desaparecido. “Falamos com essa moça por telefone e, durante a conversa, ela confirmou que eles estavam morando em Bauru. Isso já faz uns dois meses. Depois, não conseguimos mais fazer contato”, comenta Jonairton.
Esta sobrinha é quem teria informado que Valdir não se casou e trabalha no comércio bauruense, ainda vivendo com os pais adotivos. “Mas ela disse que não tinha o endereço dele, o que achamos estranho. Pode ser que o Valdir nem saiba que foi adotado”.
Serviço
Quem tiver pistas sobre o paradeiro de Valdir Aparecido do Nascimento deve entrar em contato com a redação do JC pelos telefones (14) 3104-3110 ou 3104-3113.