Cerca de 700 militantes do partido nacionalista ucraniano Svoboda deixaram ontem o prédio da prefeitura de Kiev, ocupado desde novembro em protesto contra o presidente Viktor Yanukovich.
Os opositores se retiraram a fim de cumprir as condições para a anistia de presos durante as manifestações. A desocupação era a principal exigência do governo para arquivar os processos contra os 234 opositores.
Se o governo cumpre a lei de anistia, os processos serão retirados. Eles foram acusados de delitos com penas que poderiam chegar a 15 anos de prisão. Os manifestantes foram soltos nas últimas semanas, em processo terminado anteontem.
Além da prefeitura de Kiev, os opositores também deixaram outros quatro edifícios administrativos, usados como abrigo e hospital de campanha durante os confrontos violentos no país em meados de janeiro. Cerca de 600 pessoas estavam no local.
Seguidores dos três maiores partidos da oposição, no entanto, seguem ocupando outros três órgãos públicos, assim como a praça da Independência, centro das manifestações desde novembro.
A saída foi mediada pelo embaixador da Suíça em Kiev, Christian Schoenenberger.
Schoenenberger e Ruslan Andreiko, opositor que chefiava a ocupação do prédio, assinaram uma ata de entrega do edifício. O prefeito interino da capital, Vladimir Makeyenko, não quis assinar o documento.
Crise Política
As ocupações faziam parte da pressão contra o presidente Viktor Yanukovich, que rejeitou um acordo com a União Europeia após ser pressionado pela Rússia. A saída das negociações, em novembro, levou a uma série de protestos no país nos últimos três meses.
As manifestações arrefeceram em dezembro, após Moscou anunciar um resgate financeiro de US$ 15 bilhões (R$ 36 bilhões) e a redução em 40% do preço do gás, mas voltaram com força no mês passado depois que o governo aprovou uma lei contra os protestos.
Os confrontos de janeiro aumentaram a crise política e deixaram cinco mortos e centenas de feridos. Depois disso, o presidente cedeu, derrubando a lei contrária às manifestações, forçou a renúncia do gabinete de governo e aprovou a lei de anistia.