Pela boca conseguiríamos determinar se seriam adolescentes, adultos jovens, de até 50 anos ou de idade superior. Boca é igual pescoço e mãos: denunciam facilmente a idade!
Os lábios são tumefatos e na transição com a pele temos o vermelhão revestido pela semimucosa: o leito onde repousa o batom sedutor! O vermelhão tende ao brilho, róseo vivo e homogêneo entrecortado por ranhuras por onde se passa a língua que deixa um brilho cintilante de saliva desejada. Que vontade de beijar! Se falar dos lábios e não se empolgar assim, é que a boca lembrada envelheceu.
Lábios envelhecidos são finos, as ranhuras viram rugas que se continuam com as da pele, o vermelhão se opacifica e o batom vira uma camada a escorrer pelos limites da pele e cantos da boca depois de alguns minutos! Me dirão: que horror! A saliva fluida brilha como lubrificante e o nojo dela indica que você envelheceu! Com o tempo a saliva rareia, fica geleificante e forma fios viscosos ao abrir a boca.
A homogeneidade indica cuidados com o vermelhão labial e com a pele. Ele deve ser bem delineado por uma linha definida e, sem este limite bem claro, a idade chegou! Manchas discretas brancas alternadas com vermelhas no vermelhão indicam idade e falta de cuidado, pois se tomou muito sol por décadas sem proteção.
Os cantos da boca formam ângulos bem nítidos e as comissuras têm a forma de sinais de < ou > bem abertos e definidos: depois dos 50, tendem a colabar suas paredes e viram uma prega horizontal. Se juntar uma espuminha de saliva nos cantos, se denuncia que tem mais de 70. Com lábios fechados a linha da boca deve formar uma reta ou curva para cima – se formar uma curva voltada para baixo, como a boca de tubarão, a possibilidade da pessoa ser muito velha aumenta.
Ao sorrir, se revela os dentes: quanto mais amarelos, mais velhos! Que cruel, mas é a vida. O dente tem cor homogênea, sem manchas, sem trincas. Se no esmalte se notar trincas marcadas por uma linha discreta, mas escura, aumenta a possibilidade de envelhecimento: pigmentos de alimentos como café, chocolate e refrigerantes insinuam nas menores trincas e as acentuam. Pequeninas fraturas no esmalte podem denotar desleixo e falta de motivação decorrentes da idade avançada.
Os ângulos na margem incisal dos dentes anteriores, por onde se tocam superiores e inferiores, devem ser arredondados. Ângulos retos da margem incisal com as laterais das coroas indicam que ocorreu um acentuado desgaste por atrito e isto acontece com o tempo e com o ranger dos dentes, também conhecido como bruxismo. Este desgaste ou atrição indica: o paciente deve ter mais que 40 e, se acentuado, 60 anos. A atrição que alisa a margem incisal dos dentes anteriores envelhece muito. Nas crianças e adolescentes, além de ângulos arredondados, os dentes anteriores têm serrilhado por três pequenos tubérculos.
O falar e sorrir podem mostrar os dentes inferiores anteriores desalinhados ou apinhados, tal qual a casca da pinha! Isto tende a acontecer com a idade. Sim, o apinhamento dos dentes inferiores indica envelhecimento e representa as rugas do arco dentário, como gosta de dizer o querido professor Leopoldino.
Se as coroas dos dentes aumentaram, pode ser que as gengivas retraíram e a possibilidade do portador ser mais velho aumenta. A escovação incorreta e a falta de limpeza periódica nos dentes propiciam a atrofia gengival, mas não a idade por si só. Apesar de “envelhecer” muito.
Se as pessoas mostrarem a língua, facilitam a identificação da idade. A língua fissurada aumenta e acentua-se seus sulcos e desenhos cerebrais. A saburra branca e amarelada indica falta de escovação e, nos mais velhos, é mais frequente. Em fumantes, a saburra fica acastanhada e algumas papilas ficam tão grandes que simulam pelos: surge a língua pilosa. Além da pobre higiene, pode estar associada a remédios e alimentação muito pastosa.
Não tenham dúvidas, o índice de acerto da idade examinando-se apenas a boca vai ser grande! O subconsciente aprendeu avaliar isto no contexto. Explicitar estes critérios ajuda as pessoas a cuidarem melhor da porta de entrada do organismo representada pela boca e que também é a porta de saída de coisas maravilhosas como dizer para alguém:
- Eu te amo!
Alberto Consolaro – Professor Titular da USP e Colunista de Ciências do JC