09 de julho de 2026
Nacional

Traficantes atacam UPP da Rocinha

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Encostado em uma viatura policial, alvejada por oito tiros de fuzil, um soldado da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha resumia o que foi as mais de oito horas de tiroteio ontem na favela da zona sul do Rio.

“É um milagre estarmos vivos”, contou o PM sobre a maior ação de traficantes na comunidade desde a instalação da UPP local, em setembro de 2012.

A partir das 3h30, traficantes encurralaram policiais, atacaram quatro bases da UPP, em diferentes pontos da favela e atiraram contra as viaturas policiais. Durante a madrugada, os traficantes deixaram também a comunidade às escuras e ainda atearam fogo em objetos nos acessos ao túnel Zuzu Angel, que liga os bairros da Gávea a São Conrado.

Uma hora depois de o tiroteio ter iniciado na parte baixa da Rocinha, os confrontos se espalharam para diferentes pontos da favela. Duas pessoas foram baleadas, sendo uma na cabeça, e dois comandantes da PM ficaram feridos. Apesar da ação violenta, apenas um homem foi preso.

O conflito foi tão intenso que chegou a fechar os acessos ao túnel e interromper o trânsito entre 4h06 e 6h48 de ontem.

Comandante ferido

Por volta das 11h, quando 150 homens de vários batalhões reforçavam o policiamento na favela, o comandante das UPPs, coronel Frederico Caldas, e a major Pricilla Azevedo, comandante da unidade na Rocinha, ficaram feridos após tiros disparados contra os policiais.

Segundo moradores e PMs, o coronel Caldas foi ferido por estilhaços de uma granada.

Através de nota, a Polícia Militar informou que isso não ocorreu e que o coronel “sofreu uma queda e teve escoriações leves”. “Foi medicado e segue em observação para cuidados médicos.”

Já a major feriu o pulso na mesma ocasião. Ambos foram levados para o hospital da corporação. À tarde, a major já estava de volta à favela.

E não foram apenas as unidades policiais que sofreram com a ação dos criminosos. A UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da favela recebeu cerca de 20 tiros. O médico e os enfermeiros de plantão precisaram se jogar no chão para se proteger dos disparos dos traficantes.

Pelo menos cinco das 79 câmeras que monitoram a favela e os transformadores de energia foram atingidos por tiros.

Em nota, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame informou que “o Estado não vai recuar diante da tentativa de grupos criminosos voltarem aos locais que dominaram durante décadas”.

A resistência dos criminosos contra a UPP aumenta desde o ano passado.

Desde o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, em julho passado, traficantes de drogas tentam se aproveitar da falta de confiança da população nos PMs da UPP para retomar o controle da Rocinha.

O Ministério Público denunciou 25 PMs envolvidos com o sumiço de Amarildo.