08 de julho de 2026
Internacional

Venezuela expulsa diplomatas dos EUA

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A Venezuela ordenou a expulsão de três diplomatas norte-americanos ontem sob a acusação de recrutar estudantes universitários para liderar manifestações que resultaram na morte de três pessoas, no mais grave episódio de violência desde a eleição do presidente Nicolás Maduro, em abril.

O ministro de Relações Exteriores, Elías Jaua, disse que os três membros da equipe consular recorreram a visitas a universidades para a concessão de vistos como pretexto para encobrir a promoção de protestos por parte dos estudantes de oposição, acrescentando que eles teriam de sair do país dentro de 48 horas.

As manifestações, que energizaram a oposição, mas mostram poucos indícios de que irão derrubar Maduro, continuaram ontem com protestos espalhados por Caracas e várias cidades do interior.

“Eles estavam visitando universidades com o pretexto de conceder vistos”, disse Jaua, que costumava entrar em confronto com a polícia nos tempos de estudante, quando participava de manifestações.

“Mas isso é uma fachada para fazerem contatos com líderes (estudantis) para lhes oferecer treinamento e financiamento e assim criar grupos de jovens que provocam violência”, disse ele a repórteres.

Representantes da Embaixada dos EUA não estavam disponíveis de imediato para comentar o assunto.

Nos últimos anos, a Venezuela expulsou em várias ocasiões diplomatas dos EUA, pois o relacionamento entre os dois países se deteriorou durante os 14 anos de governo do falecido líder socialista Hugo Chávez.

Maduro expulsou três diplomatas em outubro, acusando-os de estimular protestos de trabalhadores, e outros dois no dia em que Chávez morreu de câncer, em 2013. Críticos qualificam tais medidas como encenações adotadas em momentos de comoção nacional para desviar a atenção de questões mais sérias.

Oposicionista

O líder opositor da Venezuela e ex-prefeito de Chacao, Leopoldo López, divulgou ontem um áudio para a CNN no qual diz que se apresentará à Justiça e legitima os protestos contra o governo de Nicolás Maduro.

“Tomei a decisão de me apresentar ante à Justiça do meu país, um sistema corrupto e manipulado, porque eu não sou um delinquente”, diz a gravação.

O governo venezuelano acusa López de homicídio e terrorismo por sua suposta ligação com os protestos que deixaram ao menos três mortos e dezenas de feridos no país nos últimos quatro dias.