10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Por quem os sinos dobram desta vez?


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A sociedade brasileira, assolada por uma onda de violência sem precedentes, se queda diante de mais um acontecimento lamentável. Seria só mais um crime, mais uma violência sem causa entre as tantas que ocorrem diariamente nesta Terra sem lei, não fosse a vítima um cinegrafista, um homem da mídia que exercia seu ofício no momento do seu assassinato?

Mas o que aconteceria se a vítima fosse um policial que também estivesse exercendo sua função em meio àquela baderna que se intitula passeata? Não aconteceria quase nada. O governador e o secretário da Segurança viriam a público para dizer que a polícia está nas ruas e a situação sob controle, como disseram o ano passado quando mais de 100 policiais foram assassinados.

Nossos governantes e legisladores estão, no momento, sofrendo cólicas cerebrais para dar à imprensa local e internacional uma resposta rápida e poderem voltar à sua zona de conforto, à doce letargia causada pela boa comida, boa bebida e muito bom descanso que usufruem às nossas custas.

Mas o fato poderia ser ainda mais desconcertante fossem os dois delinquentes menores. Imaginem dois garotões sarados, dezesseis ou dezessete anos de pura energia a serviço do mal, mas "de menor" como eles mesmos se denominam. Para quem não sabe, vou esclarecer o que aconteceria neste caso: os menores assassinos seriam apreendidos (não se pode usar o termo preso) e recolhidos à Fundação Casa, onde teriam seis refeições diárias, escola, lazer, além de assistência psicológica e, três anos depois, sairiam para as ruas limpos como arcanjos.

A violência no país só terá freios com o fim da impunidade que é a alavanca mor que impulsiona o crime. Nossos legisladores precisam inteirar-se da urgência em reformar esse código penal obsoleto, ultrapassado e inoperante que teimam em manter por descaso, e por terem coisas mais urgentes a tratar, como o aumento do próprio salário ou meios e modos de escapar dos processos por corrupção. A favor de si, eles têm a característica essencial do povo brasileiro: a falta de memória. Amanhã outro crime hediondo abalará a sociedade e esse episódio será esquecido.

Assim caminha essa humanidade que faz passeatas por centavos nas tarifas de ônibus, mas não se mobiliza para cobrar dos governantes atitudes enérgicas, decretos e leis que realmente façam a diferença na vida da nação.

Myrthes Herrera