Atualmente, principalmente no início ou meados de cada ano letivo, informações e propagandas que dizem respeito principalmente ao oferecimento de vagas para o nível superior por faculdades oficiais e particulares através do EAD/EADI, ou seja, do ensino à distância para determinadas graduações, têm sido quase que diariamente veiculadas pela mídia. Especialmente aquelas das áreas humanas e sociais. Os cursos ou graduações feitos através do EAD diferem dos tradicionais ou presenciais porquanto nestes o aluno matriculado tem que comparecer cumprindo um mínimo determinado de frequência conferida diariamente pela chamada ou assinatura da lista de presença, enquanto que aqueles são feitos através da internet, exigindo ou não presenças pré determinadas. O EAD ministrado através da globalização da comunicação pela internet veio abrir iguais oportunidades às pessoas e jovens residentes em cidades e regiões afastadas dos grandes centros urbanos, onde geralmente se localizam as faculdades ou universidades que oferecendo os mesmos, cujas matérias dos currículos recebidas e respectivas avaliações se efetuam através do meio de comunicação citado.
Após a matrícula que exige certos pré requisitos, o alunos passa a receber as lições pelo computador e cumpri-las dentro de determinado prazo . Presenças espaçadas podem ou não ser exigidas, de conformidade com o curso. Ressalte-se que estes cursos EAD são pagos quando realizados em faculdades particulares e gratuitos nas oficiais. Presentemente encontramos alunos que após se graduarem em nosso país e mesmo em outros fazem determinados cursos até mesmo gratuitamente oferecidos por universidades do mundo. A propósito do EAD ou ensino à distância tão presente em nossos dias, beneficiando milhares de alunos matriculados e futuros graduandos, informo, para surpresa de muitos, que essa modalidade de ensino não é criação ou invenção desta geração, mas já existe há muito tempo, muito mais de meio século, só que com outro nome com procedimentos não digitais como acontecem, mas pelo correio, e eram chamados "cursos por correspondência".
Em São Paulo e Rio de Janeiro - creio eu também em outras capitais - existiu uma excelente escola particular profissionalizante por correspondência chamada "Instituto Universal" que, fornecendo apostilas e kits de materiais, oferecia cursos para eletricistas, encanadores, alfaiates, costureiras, cozinheiros, técnicos de rádios e outros que formaram excelentes profissionais nas respectivas áreas.
Estes cursos eram pagos e correspondiam às expectativas pela eficiência e profissionalismo que apresentavam. Eu mesmo, fiz, de uma outra escola profissionalizante do Rio de Janeiro, um eficientíssimo curso de taquigrafia, cujos benefícios vim a desfrutar quando frequentei a faculdade de pedagogia, visto que ainda não se usava a gravação de aulas. Saudosamente lembro-me das vezes que ia ao correio na expectativa de que as lições tivessem chegado do Rio de Janeiro. Devido à realidade e experiência do passado, altamente positivas, pelos excelentes profissionais formados por este país afora, tenho em mente de que os governos públicos, tanto estaduais como o federal, deveriam, aproveitando as estruturas excelentes das oficiais Fatecs, Etecs e outras, e fazendo parcerias com Senai, Sesc, respectivamente, criar e estimular o EAD para a formação de técnicos e outros profissionais dos quais nossa sociedade é carente no momento.
Todos os leitores convirão comigo de como é difícil de se encontrar um bom pedreiro, carpinteiro, encanador, eletricista, pintor, mestre de obras e outros. Estes cursos à distância, EAD, dariam oportunidade de formação profissional a milhões de jovens e outras pessoas do contingente de 80% de brasileiros que não conseguem terminar e se graduar em nível superior, ficando pelo meio do caminho sem profissão. Estas entidades profissionalizantes citadas anteriormente têm um histórico de eficiência comprovada invejável que deveria ser estendida através do EAD a este grande contingente carente e com dúvidas quanto às perspectivas de futuro. Seria o desenvolvimento de um grande programa educacional, democratizar profissionalizando a nível médio pelo EAD. Mas que tenha continuidade, fato que tem sido um problema em nossa educação. Aqueles que conheceram a excelente rede de ginásios e colégios industriais que o Estado de São Paulo já teve há quarenta anos que o digam.
O autor, professor Joaquim Eliseo Mendes, é membro da ABLetras