09 de julho de 2026
Internacional

Após Snowden, país é visto como 'hipócrita' na web, diz subsecretário

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O vazamento de informações sobre o amplo programa de espionagem do governo americano pelo ex-técnico da NSA (Agência de Segurança Nacional) Edward Snowden tornou "mais difícil" o engajamento do Departamento de Estado com internautas de todo o mundo por meio das redes sociais.


Em um debate em Nova York sobre o uso da internet para tornar a diplomacia americana mais acessível à população, o subsecretário de Estado para Relações Públicas, Doug Frantz, reconheceu que os EUA podem ser vistos como "hipócritas" ao defenderem a liberdade na internet após Snowden revelar que usuários de e-mails e redes sociais pelo mundo são alvo da espionagem americana.


"É claro que é mais difícil agora. As pessoas olham para nós e acham hipócrita a nossa visão de liberdade na internet em todo o mundo", disse Frantz, que prefere não falar ainda em uma "era pós-Snowden". "Acredito que ainda há mais por vir."


Ele, contudo, destaca o "debate aberto" que foi gerado nos EUA sobre a questão da vigilância e do respeito à privacidade após o vazamento.


"O presidente [Barack Obama] está engajado no tema de uma forma que não aconteceria em Cuba, na China ou na Rússia", disse.


Opiniões pessoais


Outro desafio para o trabalho do Departamento de Estado nas redes sociais é gerenciar o peso de opiniões pessoais de seus funcionários na internet e diferenciá-las da posição da diplomacia americana.


Frantz citou o caso de um segurança da embaixada da Índia e de sua esposa -também funcionária da representação- que postaram em sua conta pessoal no Facebook comentários ofensivos sobre a cultura indiana. O caso ganhou repercussão nos jornais do país e causou um mal-estar diplomático.


"É preciso ter responsabilidade, considerar a cultura do lugar onde você está, e perceber que qualquer coisa que você diga nas redes sociais está sendo dito ao público em todo o mundo", disse o subsecretário.


Segundo ele, há um manual interno sobre conduta para funcionários em missão no exterior, mas é preciso também usar o bom senso nas redes sociais. "Digo para as pessoas nunca tuitarem nada que elas não queiram ver na capa do Washington Post", disse Frantz, que foi, por muitos anos, repórter do jornal.


Aposta diplomática


Apesar dos riscos, esse a plataforma online tem sido cada vez mais uma aposta do Departamento de Estado para a comunicação com o público. O subsecretário citou o caso da "embaixada virtual" para o Irã -que nada mais é do que um site com informações em inglês e em farsi para que a população iraniana seja informada, por exemplo, sobre o processo de vistos- e de campanhas recentes, como para ajudar as vítimas do tufão nas Filipinas.


"Entramos no gabinete do secretário [John] Kerry e pedimos que ele fizesse um 'unselfie' para incentivar as doações", afirmou Frantz, explicando que um "unselfie" é uma variação do "selfie" , na qual a pessoa cobre o rosto com alguma informação. Neste caso, Kerry segurou um cartaz com as informações para doações.


"Mas fizemos questão que aparecesse o cabelo muito peculiar de John Kerry" para que as pessoas o identificassem, disse. O tuíte foi amplamente compartilhado.


Segundo Frantz, o Departamento de Estado tem cerca de 800.000 seguidores no Twitter e 470.000 no Facebook. "É quase nada perto do Justin Bieber, mas considerando que é para falar sobre diplomacia, é muita gente", brincou.