Após quase cinco anos foragido, o advogado Rubens Simioni, 74 anos, suspeito de abusar sexualmente de uma menina de nove anos, em Lençóis Paulista, foi preso ontem na Ilha Comprida. Na ocasião em que o crime foi descoberto, em 2009, a Polícia Civil apurou que a criança também estava sendo violentada pelo padrasto (leia mais abaixo). Ele foi preso e condenado a 13 anos e seis meses de prisão.
De acordo com o delegado titular de Lençóis Paulista, Luiz Cláudio Massa, desde julho de 2009, quando o advogado teve a prisão temporária decretada pela Justiça, a polícia vem investigando o seu paradeiro. “Após investigações, conseguimos rastrear o paradeiro do acusado através das contas dele do INSS e de saques do seu salário. Uma equipe nossa foi até Ilha Comprida e o localizou Rubens Simioni no interior de sua residência”, conta.
No final da tarde, o advogado foi levado até a delegacia de Lençóis Paulista para prestar depoimento. Segundo Massa, ele nega todas as acusações e diz que a menina acabou com a vida dele. Ainda ontem, Simioni seria levado à Cadeia Pública de Avaí. O delegado explica que, pelo fato de Simioni ser advogado, ele terá de ser transferido para Sala de Estado Maior (que não tem grades), onde deverá ficar preso até o julgamento.
O crime
Conforme divulgado pelo JC, em julho de 2009, a pedido da Polícia Civil, Simioni teve a prisão temporária decretada pela Justiça após denúncia de que vinha abusando sexualmente de uma vizinha de 9 anos há cerca de um ano.
O palco do crime seria uma casa no conjunto de chácaras São Judas Tadeu, onde a menina e seu irmão brincavam com os netos do suspeito. Ele levava as crianças para passear de carro e dava a eles doces e dinheiro.
Na época, a mãe da criança procurou a delegacia para relatar os constantes abusos e ameaças sofridos pela filha. O suspeito dizia que iria trancar a menina no banheiro caso ela contasse para os pais sobre os abusos. O estupro foi descoberto após o tio da criança ter surpreendido o irmão dela, de sete anos, em cima da garota, em atitudes sexuais. Questionado, o menino contou que tinha visto o advogado fazer a mesma coisa com sua irmã.
No mesmo dia, o tio das crianças relatou a história à irmã. Pressionada, a menina confessou os abusos para a mãe, que denunciou o crime à polícia após uma médica pediatra realizar exames e constatar a violência sexual.
Indiciado
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que o hímen da garota já havia sido rompido há algum tempo. A Justiça decretou a prisão temporária de Simioni, mas ele conseguiu fugir. Em agosto, ele teve a prisão preventiva decretada.
O advogado foi indiciado por estupro, atentado violento ao pudor e corrupção de menores. Na ocasião, o advogado dele, Joaquim Paulo Campos, informou que ele era impotente e, por isso, não poderia ter cometido o crime.
No mesmo mês, a Polícia Civil representou pela prisão temporária do padastro da vítima, também sob a suspeita de abusar sexualmente da menina. Segundo Massa, ele foi julgado e condenado a 13 anos e 6 meses de prisão pelo crime.