08 de julho de 2026
Cultura

Um Robocop ?brazuca?


| Tempo de leitura: 3 min

O cineasta brasileiro José Padilha, que fez sucesso mundial com “Tropa de Elite” e “Tropa de Elite 2”, estreia hoje seu primeiro filme hollywoodiano: a refilmagem do famoso “Robocop” (o longa também estreia nos cinemas bauruenses), que custou US$ 130 milhões e será exibido em cerca de 700 salas de cinema no país.

Na “versão brasileira”, o herói metade homem, metade máquina é criado pela empresa OmniCorp com o objetivo de convencer os americanos a aprovarem a lei que permite que robôs atuem no lugar de policiais dentro dos EUA -ele já são usados em conflitos no exterior. “A ideia principal é mostrar como desumanizar a tropa pode abrir as portas para o controle excessivo e o fascismo”, diz Padilha.

O Robocop tem uma jornada diferente da do robô original, de 1987. Desta vez, o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) sofre um atentado ao investigar uma quadrilha de tráfico de armas. Em vez de ser dado como morto e retornar sem memória, Murphy acorda consciente e precisa, então, aceitar o fato de que não é mais um ser humano.

Raymond Sellars (Michael Keaton) é quem tem a ideia de criá-lo, mas acaba virando seu maior inimigo. “Ele não é um vilão comum. É complexo e toma decisões erradas”, diz Keaton. Ainda estão no elenco Samuel L. Jackson, Gary Oldman e Abbie Cornish.

Elogios

Michael Keaton e Joel Kinnaman revelaram que a motivação para fazer parte do elenco de “Robocop” foi o diretor brasileiro José Padilha. Kinnaman, que vive o Robocop, contou que não havia se interessado em atuar no longa. “Tem muitas refilmagens ruins sendo feitas, mas, ao ficar sabendo que o Padilha seria o diretor, mudei de ideia”, diz.

No papel do criador do homem-máquina, Raymond Sellars, Keaton também foi só elogios ao diretor. “Ele é incapaz de fazer um filme comum. Se ele refilmasse Debi & Loide, a gente pensaria: “E não é que a imbecilidade é interessante?”, brincou.


‘Pede pra filmar!”

José Padilha conta que praticamente pediu para filmar Robocop. “Estava em uma reunião e o pessoal do estúdio queria que eu fizesse o Hércules. Não queria, mas vi um pôster do Robocop na parede e disse: este aí eu quero fazer.” Segundo ele, conseguiu fazer o filme que queria e ter a palavra final sobre o longa. “Posso dizer que 50% do tempo eu gastei argumentando e 50% fazendo o filme. Mas valeu a pena. A questão política, por exemplo, não abri mão dela, e os testes com o público atestaram que funcionava. A ideia de que a automatização da violência abre uma janela para o fascismo é uma ideia importante.”


Semelhanças com ‘Tropa’

“O Robocop é o BlackBope”, brinca o diretor José Padilha, em conversa com o jornal O Estado de S.Paulo sobre seu mais novo filme, Robocop, que chega na sexta-feira, 21, a 700 salas do Brasil depois de ter ficado em terceiro lugar entre as melhores bilheterias do EUA no último fim de semana. Vinda de quem é estudioso atento das origens e consequências da violência, a frase não poderia ser mais acertada.

“Tem tudo a ver com o Tropa. Há o apresentador manipulador, a família, o policial... Este universo em que o homem se insere no contexto violento”, diz a atriz Maria Ribeiro, que em Tropa de Elite vive a mulher do Capitão Nascimento. Exageros comparativos à parte, há de fato muito de Tropa em Robocop. Na verdade, há muito de José Padilha nesta atualização da história original, dirigida em 1987 pelo holandês Paul Verhoeven.

“Se você parar para pensar, o conceito implícito no personagem do Robocop está presente no Tropa 1 e no 2. Há uma ideia filosófica que me interessa, de que a violência extrema acontece quando o agente da violência, o policial, perde a sua capacidade de crítica”, analisa o diretor.