08 de julho de 2026
Carnaval 2014

Da cesta de frutos para a passarela

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Aceituno Junior

O mecânico Luiz Madureira se esforça para fazer a Cartola ir para a avenida com “tudo em cima”

Dos índios caingangues ao lanche bauru: a intenção da escola de samba Acadêmicos da Cartola este ano é mostrar que Bauru é realmente o “cesto de frutos”, repleto de personalidades e feitos importantes. Para mostrar isso na passarela do samba, a Cartola vai contar a história de “Uba-Uru”, nome indígena que deu origem ao que conhecemos e chamamos hoje por Bauru.

A escola que acumula vários títulos do Carnaval bauruense, também campeã nos dois últimos anos, vai fazer esse trabalho de resgate com 13 alas, cinco carros alegóricos (além de um duplo) e, provavelmente, será a agremiação que mais levará foliões para o desfile: pelo menos mil pessoas. A Cartola desfila no primeiro dia de Carnaval, sábado, dia 1 de março, e é a última a entrar no Sambódromo. O horário previsto é 23h35.

Os ensaios da Cartola seguem de segunda a sábado, sempre a partir das 21h30, em seu próprio barracão, localizado na quadra 6 da alameda dos Jasmins, no Parque Vista Alegre. Pasqual Storniolo, presidente da agremiação, convida todos a prestigiarem o concurso de escolha da Rainha e Madrinha da bateria, que será realizado neste sábado, às 21h, também na quadra da Cartola.


Os caingangues

Os caingangues, índios que habitavam a nossa região, são lembrados no enredo da Cartola “Frutos de uma terra abençoada – Uba-Uru”. Um resgate interessante, já que pouca gente sabe da história da resistência desses índios frente à ocupação do município. Além da homenagem aos caingangues, o enredo evolui com destaques a personalidades de Bauru, que marcaram também momentos importantes e ajudaram a escrever a história da cidade. “A nossa ideia é falar das personalidades que Bauru ‘lançou’ para o Brasil inteiro. E nesse sentido, cada setor cultural vai ser representado no enredo, segundo a pesquisa que fizemos”, indica o carnavalesco José Horácio Gonçalves..


 

João Vitor Gomes, de apenas 12 anos, é um dos mais novos integrantes da bateria da Cartola

Na bateria

Em meios aos “grandes”, João Vitor Gomes, de apenas 12 anos, é um dos mais novos integrantes da bateria da Cartola. Ele toca o surdo com habilidade, coisa que aprendeu apenas através da observação, já que o pai, Denis, é mestre de bateria. “Na hora, dá medo de algo sair errado. Mas é só ensaiar bastante”, garante ele.


Terra abençoada

O enredo homenageará a arquitetura de Jurandyr Bueno; também o criador do sanduíche bauru, Casimiro Pinto Neto; o pioneiro João Coube, que impulsionou a indústria gráfica na cidade; o fundador da primeira rádio em Bauru, João Simonetti, importante “símbolo” dos primórdios da comunicação de Bauru, assim como Tobias Ferreira. Vão receber homenagens também a Casa da Eny, que ficou famosa Brasil afora; o astronauta de Bauru, Marcos Pontes, Celina Neves, Mauro Rasi, Edson Celulari e outras personalidades.


Destaque anônimo

A beleza de cada carro alegórico da Cartola passa por um trabalho criterioso, que exige dedicação e atenção. E nada melhor do que poder contar com o olhar atento do mecânico Luiz Madureira, que “dá o sangue” pra fazer a Cartola sair na avenida com “tudo em cima”. Aos 55 anos, ele conta que participa do Carnaval desde 1979. E é praticamente um “faz tudo”. “Não tem nada fácil. Já até queimei meu dedo com cola quente. Cada detalhe é muito importante. Depois, a sensação é ótima, de ver tudo pronto; a satisfação quando a escola vai pra avenida e o povo gosta é enorme”.


Ficha técnica

Escola de samba Acadêmicos da Cartola

Fundada em: 1976

Bairro: Parque Vista Alegre

Campeã: dez vezes

Atual presidente: Pasqual Storniolo

Enredo 2014: “Frutos de uma terra abençoada - Uba-Uru”

Integrantes: cerca de 1.200

Carros alegóricos: cinco, mais um duplo

Alas: 13

samba-enredo

Compositores: Nilo da Cartola/Claudirzinho/Jé do Cavaco

Hoje minha Cartola

É toda prosa

A nossa origem vem contar

Aí nasceu índio valente, caingangue sorridente

De azul e branco vem sambar

Vitória Régia hoje é cartão-postal

Sanduíche fez história no d’guste nacional

O que beleza, todo mundo viu

O conceito da brochura a conquista do Brasil

A imprensa divulgando nosso samba cor de anil

Que maravilha! Quanto tesouro

Através da nossa história veio o tamborim de ouro

Raiou, brilhou, Turma da Mônica sambô

Raiou, pintou, caiu na noite dançou

Raiou, raiou, pintou, Turma da Mônica sambô

Raiou, raiou, brilhou, caiu na noite dançou

Já conquistei o espaço

Avenida, um teatro

Tem bola na rede, agora é gol!

Falei do piano ao sertanejo

Sou brasileiro verdadeiro

Sempre em alto astral

Vou libertar eu vou com alegria

Águia guerreira, fada madrinha

Vou festejar, eu vou cair no samba

Na nossa terra só existe gente bamba

Veja trecho do ensaio da bateria da Acadêmicos da Cartola