08 de julho de 2026
Polícia

Ladrões levam 1,4 km de cabos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto

Cabos foram furtados de postes no canteiro central da Nuno de Assis

Em apenas dois dias, quase 1,5 quilômetro de cabos elétricos foram furtados de postes instalados no canteiro central da avenida Nuno de Assis. Os crimes em sequência, segundo a Secretaria Municipal de Obras, provocaram um prejuízo que pode ultrapassar os R$ 40 mil.

Os ladrões arrombaram três caixas de passagem instaladas ao lado dos postes, nas quadras 2, 18 e 19 da avenida. Os dispositivos são construídos em concreto e servem para fazer a interligação do cabeamento subterrâneo de energia. A tampa, que fica no nível do canteiro, possui 15 centímetros de espessura.

“Antes, elas tinham apenas cinco centímetros. Aumentamos justamente para tentar inibir a ação dos criminosos. Mas, mesmo sendo feita de concreto e armação de ferro, eles arrebentam na marretada”, lamenta o secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues.

Assim que arrombaram a tampa das caixas, os ladrões conseguiram puxar 1,42 quilômetro de cabos que passavam por dutos subterrâneos. Entre a noite do dia 19 e madrugada do dia 20, 480 metros de cabos foram levados da quadra 19 da Nuno, nas imediações do trevo de acesso à rodovia Marechal Rondon, no sentido bairro-Centro.

Na noite seguinte, 240 metros de fios foram retirados da caixa de passagem localizada na quadra 18 da avenida, no sentido bairro-Centro. Da quadra 2, próximo da altura do Fórum de Bauru, foram subtraídos 700 metros de cabos, nos dois sentidos da via.

Cobre

Segundo a secretaria, o prejuízo estimado é de R$ 40 mil, já que os cabos são compostos por metais, como o cobre, de alto valor comercial. A previsão para que novos fios sejam instalados é de dez a 15 dias. Até lá, cerca de dez quadras ficarão sem iluminação pública no canteiro central que margeia o rio Bauru.

A extensão da área atingida só não é maior porque os fios furtados pertencem à prefeitura e servem à iluminação ornamental de áreas públicas, não havendo conexão com a rede de abastecimento da CPFL. “Apesar de os postes da CPFL continuarem acesos, a redução da iluminação na avenida interfere na segurança”, completa o secretário.

Conforme ele mesmo ressaltou, os furtos de fios e cabos de energia e telefonia são um problema crônico em Bauru. Em meados de dezembro do ano passado, 590 metros de fio de cobre foram furtados em quatro ocorrências registradas em um único dia, em pontos diferentes da cidade.

No final de janeiro deste ano, policiais civis impediram o furto de fios telefônicos ao flagrarem o momento em que um comerciante se preparava para cometer o crime, na rodovia Bauru-Iacanga, na altura da Vila São Paulo. Ele confessou que retiraria os cabos de um poste com a ajuda de dois comparsas e que o quilo do cobre seria comercializado a R$ 13,00.

Mais furto

Na madrugada de quinta-feira, 87 metros de fios elétricos foram furtados da Associação dos Servidores da Unesp, no bairro Vargem Limpa, segundo registrado em boletim de ocorrência ontem.


Polícias Civil e Militar dizem que trabalho está sendo feito

As polícias Civil e Militar garantem que o trabalho de patrulhamento preventivo e de investigação para identificar os criminosos está sendo feito. Segundo o delegado Kleber Granja, da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru, caberia à empresa concessionária de energia e telefonia, bem como à prefeitura (quando se tratam de áreas municipais), adotar mecanismos para reforçar a segurança nos locais de acesso à fiação. “A rede de energia é muito extensa e vulnerável. Transferir para a polícia toda a responsabilidade por preservá-la seria um tremendo contrassenso”.

Mas, de acordo com o delegado, esse tipo de crime está sob monitoramento contínuo da Polícia Civil, que tem atuado para identificar os criminosos que furtam e também os que receptam o produto. “Estamos fazendo a nossa parte, com o cadastramento de desmanches e ferros-velhos e interdição dos pontos clandestinos”.

O comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Walter Oliveira, frisa que a corporação realiza patrulhamento preventivo em toda a cidade.


Ação não especializada

Segundo o delegado Kleber Granja, da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru, todos os casos recentes registrados na cidade são de furto de pequenas quantidades de fios e cabos.

Quase sempre, eles são praticados por usuários de drogas que usam o dinheiro da venda desses produtos para sustentar o vício. Os receptadores, também em sua maioria, são pequenos ferros-velhos que funcionam de forma irregular.

Mas, por mais que não haja, aparentemente, quadrilhas especializadas atuando na cidade, o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Walter Oliveira, ressalta que os criminosos não são leigos e possuem algum conhecimento sobre o funcionamento das redes de abastecimento.

“Mas podem ser usuários de drogas que, por precisarem de dinheiro rápido, acabam, inclusive, agindo de maneira integrada com os receptadores, que ‘encomendam’ o produto de acordo com a demanda do mercado ilegal”, observa.