08 de julho de 2026
Polícia

Clínica de repouso modifica rotina

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

“Cada vez que a campainha toca, me dá um frio na barriga, tenho medo de que eles voltem e nos façam mal”. A frase de uma idosa de 72 anos resume o trauma que ainda ronda a casa de repouso assaltada anteontem à noite por uma dupla armada com revólver e faca, nas imediações da avenida Castelo Branco, na região da Vila Nipônica.

Um dia após o crime que chocou a cidade, pacientes e funcionários da pequena clínica particular que funciona há apenas um ano em Bauru ainda estavam assustados.

“Desde cedo, os familiares dos atendidos estão nos ligando para saber informações. Alguns idosos tiveram dificuldades para dormir. Meu sobrinho de seis anos também não foi à escola hoje (ontem), ele está traumatizado. Acho que precisaremos da ajuda de um psicólogo”, comenta a enfermeira de 47 anos, uma das proprietárias da clínica (as identidades das vítimas serão preservadas por questões de segurança).

Como medida para evitar novos crimes, a casa de repouso deve receber, na próxima semana, um sistema de segurança e monitoramento.

“Aqui é tudo na base da campainha e da confiança. Vamos acabar com isso colocando interfone e câmeras de monitoramento na casa, inclusive no portão principal, que foi por onde os bandidos entraram”, aponta a proprietária.

Pistas

Até o fechamento desta edição, ninguém havia sido preso. Conforme o JC adiantou ontem, um dos suspeitos de praticar o crime não estava com o rosto coberto.

Sobre o caso, o delegado Cledson Nascimento, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), informou que acionaria uma das vítimas, ainda ontem, para reconhecimento do possível autor por meio de imagens em registros policiais. “Temos algumas pistas e prosseguiremos com as investigações”, frisou.

A Polícia Militar também age colhendo informações e pistas sobre o paradeiro dos acusados, além de reforçar o policiamento na região (leia mais abaixo).

Dificuldades

A ação na casa de repouso durou menos de 15 minutos, segundo as vítimas. Além de um malote de R$ 3 mil que estava em um quarto nos fundos da casa, foram levados aparelhos celulares e um cofrinho com dinheiro em espécie.

“O malote estava com o meu salário e o dinheiro que usaríamos para comprar frutas, verduras, legumes, leite, mistura e gás. Agora, teremos que nos virar no cartão de crédito ou esperar doações”, detalha a enfermeira.

No momento do crime, os dez idosos com idades entre 74 e 101 anos que residem no local estavam entre a sala e a cozinha da casa. Por sorte, ninguém ficou ferido.

“Além de apostar em mais segurança, não temos muito que fazer. Só rezar para que nunca mais aconteça de novo”, comenta a enfermeira. A clínica fica na quadra 1 da rua Hirofumi Fussamae, no Jardim Gaivota.


Doação

Comovidos com a situação, dois empresários de Bauru, Luciana Fernandes de Oliveira e Paulo Cesar Fernandes de Oliveira, resolveram doar cinco cestas básicas à casa de repouso ontem. “Lemos a reportagem e ficamos comovidos”, afirmou Luciana.


Polícia vai reforçar patrulha

O policiamento já foi orientado, de antemão, a realizar um patrulhamento mais marcante na região da casa de repouso. A afirmação é do comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Walter Oliveira.

A prisão dos autores não parece ser apenas questão de justiça, segundo ele. A grande preocupação da Polícia Militar é de que o ocorrido abra precedentes para mais delitos do tipo.

“Quanto antes a ordem for restabelecida com a prisão, mais conseguiremos diminuir a chance disso ocorrer novamente”, afirma o tenente-coronel.

“Já temos algumas informações e as compartilharemos com a Polícia Civil. É questão de tempo até identificarmos e chegarmos aos autores”, conclui.