08 de julho de 2026
Geral

?Ilhados? da Vila Santista

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Há mais de 30 anos, moradores da região da Vila Santista, zona oeste de Bauru, aguardam a pavimentação de várias ruas no bairro. Entre elas estão as quadras 1 das ruas Colômbia, Alice Lorena Abraão e Maria José Pereira, que foram simplesmente esquecidas pelas ações da gestão municipal que pavimentou essas mesmas ruas há alguns anos.

Sem estrutura mínima e sujeitas às intempéries, as quadras em questão estão tomadas por grandes erosões e não apresentam condições mínimas para o tráfego, além de oferecer riscos de sobra aos contribuintes que estão há, pelo menos, dois meses praticamente “ilhados” em casa.

“Três pessoas já quebraram as pernas caindo nessas erosões. Tem gente que não consegue tirar o carro da garagem há três meses por causa desse buraco. Quando meu marido morreu de infarto, no ano passado, tiveram que tirar ele de casa carregado no ombro porque nenhum carro chegava até lá”, conta Maria Izabel Mateus, de 56 anos, sobre uma das piores situações que vivenciou durante os 21 anos morando na quadra 1 da rua Colômbia.

 

Colômbia nota zero

Maria Izabel é vice-presidente da Associação de Moradores da Vila Santista e vizinha de Maria Aparecida de Souza Ramos, de 44 anos, que tirou há alguns dias o gesso da perna esquerda após levar um tombo em meio ao entulho e quebrar a perna enquanto voltava da igreja à noite.

“Não consigo ficar com o pé muito tempo no chão, ainda dói. Mas eu tenho que escolher: ou ficar ‘ilhada’ em casa ou sair pulando e desviando dos buracos e entulhos”, conta a moradora sobre a saga diária para chegar até a quadra de cima, já pavimentada.

“Não precisa nem de Carnaval, já pulamos buracos o tempo todo aqui”, completa, ironizando, Adriana Ramos Amaral, de 22 anos, filha de Maria Aparecida.

“Antes, isso tudo era gramado, mas a prefeitura destruiu com a promessa de pavimentar. Vários anos se passaram e a rua Colômbia continua na mesma. Nota zero em infraestrutura”, brinca o aposentado Braulino Neves, morador há 60 anos do local.

A falta de galeria e de bocas de lobo faz com que a água da região alta do bairro desça pelas quadras 1 das ruas Colômbia, Maria José e Alice Lorena, aumentando ainda mais as erosões. 

 

Saga do lixo

Para contornar as crateras e os escoamentos de água, os moradores improvisaram uma pequena ponte de madeira ao centro da rua Colômbia. Fato, porém, que não impede que animais e crianças se arrisquem andando pela água suja. “Temos muitas crianças aqui. A vizinhança vive com dengue e doente. Isso é uma vergonha para a saúde”, critica Maria Izabel.

Além disso, como os caminhões da Emdurb não conseguem ter acesso ao local, os moradores mais uma vez são obrigados a se arriscar em meio aos buracos para levar o lixo até a próxima rua.

O lixo, aliás, é outro problema que atinge as ruas Colômbia e Alice Lorena Abraão. “O pessoal vê o buraco e aproveita para descartar as coisas. Aqui já virou depósito, está complicado”, reforça Maria Aparecida.

 

‘Contorcionismo’

Para se ter ideia, até um conjunto de sofás foi parar dentro da erosão, de quase 2 metros de profundidade, que se formou com as últimas chuvas em frente à casa da dona de casa Rosana Pereira, de 29 anos, na quadra 1 da rua Alice Lorena Abraão.

Para chamar a moradora para conversar com a reportagem, a vice-presidente da Associação de Moradores, Maria Izabel Mateus, se contorceu em cima de um sofá para alcançar o outro lado da rua. A cratera em questão é a maior entre as existentes nas três vias. “Há 1 mês não consigo sair com o carro da garagem. Tenho dois filhos pequenos e fico o dia todo atrás deles para não saírem para a rua. Tenho medo desse buraco, mas já desisti de ligar e reclamar. Sair de casa só se for fazendo contorcionismo mesmo”, declara Rosana Pereira, ao ver a situação sobre o sofá.


Asfalto pode ser feito este ano

A saga dos moradores das três quadras da Vila São Francisco, região da Vila Santista, é também uma bandeira levantada por Carlinhos Cantelli, morador da região e suplente do vereador Raul Gonçalves de Paula (PV).

“Desde 2008 levo esse problema ao conhecimento da Secretaria Municipal de Obras. Acredito que a solução ocorra neste ano”, pontua.

Questionado, o secretário titular da pasta, Sidnei Rodrigues, informou que as três quadras das ruas em questão já foram licitadas dentro de um projeto executado pela empresa H.Aidar, que asfaltará outras 40 vias de terra na cidade.

“Esse problema não atinge só a Vila Santista. São apenas três entre as 1.200 ruas que ainda estão nessa mesma situação em várias regiões da cidade. O problema é que lá a população também não colabora e joga lixo. Eu mesmo estive lá na e vi. De qualquer forma, a obra já foi licitada e essas ruas ganharão asfalto ainda neste ano”, promete Sidnei.