09 de julho de 2026
Regional

Região totaliza 4.620 membros no Rotary

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 9 min

Quem é que nunca ouviu falar em alguma ação dos Rotary Club em sua cidade? Mais do que solidariedade e festejos eles são clubes de serviços que estão dispostos a “dar-se de si antes de pensar em si”, como diz o próprio lema desta legião. Hoje, dia 23 de fevereiro, esse exército completa 109 anos de atividades pelo mundo levando amor, esperança e lutando por ideais. Um levantamento feito pelo JC apontou que em três distritos rotários com base nas principais cidades da região, num raio de 100 quilômetros, o distrito 4510 conta com 67 clubes e 1.867 membros em Bauru (6 clubes), Pederneiras (1 clube) Duartina (1 clube) e Garça (3 clubes). Em seguida, o distrito 4.480, conta com 31 clubes, 1.755 membros e contempla as cidades de Jaú (3 clubes), Barra Bonita (1 clube), Pirajuí (1 clube) e Bariri (1 clube). Por fim, no distrito 4310, com 27 clubes e mais de 1.200 membros, tem os municípios de Botucatu (5 clubes), Agudos (1 clube), Lençóis Paulista (1 clube) e Macatuba (1 clube). 

 

Só na região, os rotarianos concentram aproximadamente 4.620 homens e mulheres.

Em 1905, o advogado Paul P. Harris formou uma das primeiras organizações de serviços do mundo, o Rotary Club de Chicago. Nesta “reunião”, profissionais com conhecimentos distintos (diversas profissões) teriam espaço, poderiam trocar ideias e fazer amizades significativas e duradouras. A nomenclatura “Rotary”, que em português significa “rotativo” teria surgido da prática inicial de fazer um rodízio das reuniões entre locais definidos por associado.

A “hierarquia” rotariana é composta pelos clubes, que são respaldados pelo Rotary International, e pela Fundação Rotária. Os clubes reúnem pessoas de profissões distintas que trocam ideias, formam relacionamentos e desenvolvem projetos.

O Rotary International apoia os Rotary Clubs (clubes) no mundo todo coordenando programas, campanhas e iniciativas globais. A Fundação Rotária usa as suas doações, oriundas de fundo próprio e parcerias, para financiar projetos de rotarianos e de comunidades do mundo todo. Hoje essa legião soma mais de 1,2 milhão de associados.

 

Rotarianos

Para ser um rotariano, é preciso receber um convite de algum membro de clube. O convidado comparece a uma das reuniões semanais e visualiza tudo o que é discutido lá. Alguns membros específicos ficam avaliando o convidado o tempo todo e, ao final da reunião, caso não encontrem nenhum problema relacionado a pessoa ou sua indicação, este é convidado a fazer parte do grupo.

Se aceitar, ele deverá pagar uma mensalidade, cujo valor varia de clube a clube, e serve para pagar diversos custos, entre eles a manutenção do próprio clube, bufê, e o restante vai para a Fundação Rotária. Na região, os clubes de serviços têm ativa participação em suas comunidades em diversos setores.

 

Clubes lideram várias campanhas

Quando falamos em Rotary logo vem à cabeça as grandes festas proporcionadas por eles, com o objetivo de angariar fundos para diversas ações sociais. Entretanto, mais do que isso, o Rotary na região mostra que está à frente da sociedade, encabeçando projetos em prol de toda a comunidade, como é o caso do projeto “Duplica Já” em Jaú (43 quilômetros de Bauru).

O diretor de imagem pública do Rotary Terra Roxa de Jaú, Veidson Marcelo Gonçalves, 35 anos, explica que o projeto foi criado há dois anos, no Rotary Club de Barra Bonita, com o objetivo de evitar acidentes na SP-255, a rodovia Otávio Pacheco de Almeida Prado, que liga Jaú a Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), Igaraçu do Tietê (71 quilômetros de Bauru) e São Manuel (71 quilômetros de Bauru).

A via de mão simples, muito usada pelos moradores das três cidades, é conhecida, infelizmente, por seu número de acidentes com vítima fatal. “O projeto começou há dois anos, no Rotary de Barra Bonita, e depois veio para Jaú, quando criamos o nosso site. Coletamos assinaturas e montamos uma Frente Parlamentar com 58 entidades de Jaú e região. O movimento já entregou em mãos ao governador Geraldo Alckmin o manifesto assinado pelas 58 entidades pedindo a duplicação da rodovia (Jaú a São Manuel). Isso foi no final do ano passado, quando esteve em Igaraçu do Tietê”, disse.

O resultado do projeto teria sido publicado para o Executivo mas, até o momento, o edital ainda não foi publicado no site do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Mas o Rotary continua sua luta divulgando o projeto com carreatas na cidade, entregas de panfletos e colhendo assinaturas.

 

Mão amiga

Em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), o projeto “Mão Amiga”, do Rotary Club de Botucatu-Norte se dedica a ceder aparelhos ortopédicos a pessoas que não têm condições de adquiri-los. Basta apresentar um encaminhamento médico, que o clube faz a aquisição doa aparelho, com a condição que o usuário o devolva assim que terminar o tratamento. Assim este pode ser emprestado a outras pessoas.

“O ‘Mão Amiga’ começou no início de 2011. Veio da necessidade que nosso clube estava sentido de ser ainda mas participativo nas carências do nosso município. O custo dos equipamentos ortopédicos, para quem não tem condições, acaba sendo muito muito alto e achamos que criar um banco com diversos equipamentos, poderia ser algo interessante. Temos um médico ortopedista no nosso clube que sempre nos auxilia em casos específicos”, explicou Lucas Machado, diretor de comunicação do “Mão Amiga”.

 

Pólio

Todos os anos o Rotary Internacional abraça a campanha mundial de rádio, TV e jornais, chamando a população brasileira para a vacinação contra a poliomielite (paralisia infantil) em países mais carentes. Os governos usam a estrutura hospitalar, prontos-socorros, postos de saúde, e distribuição, mas é o Rotary Internacional que fornece as vacinas.

 

Distrito tem até governador

O maior distrito da região é o 4.510, que conta com 67 clubes e 1.867 membros em dezenas de cidades, com destaque para Bauru, Duartina e Garça (num raio de 100 quilômetros). O governador deste distrito é o advogado Ricardo de Maio Bermejo, de Assis.

A pedido do JC, por meio de e-mail, ele contou um pouco de sua história e como é a convivência com os rotarianos. “Sou rotariano há 17 anos e ingressei no Rotary através de convite realizado pelo meu padrinho, José Roberto. Minha classificação rotária é advocacia cível e contabilidade. Ingressei primeiro no Rotary Club de Assis, no qual permaneci por quase cinco anos, depois por motivos de ausência da cidade e estudos, retornei ao Rotary, através do Rotary Club Assis-Norte, que ingressei em 17 de dezembro de 2001 e permaneço até hoje. Fui presidente do clube, tesoureiro, secretario, e coordenador de varias comissões. Atuei no Distrito 4510 como governador Assistente por três gestões.

“Para mim, o Rotary representa uma opção de poder trabalhar na causa do servir aos mais diversos tipos de anseios de uma comunidade, tanto como profissionalmente, quanto nos auxilio a órgãos não governamentais na realização de muitos projetos para a melhoria da qualidade de vida de nossa população. Em Rotary para mim é a oportunidade de poder desfrutar de companheirismo, trocando idéias e dando sugestões aos mais diferentes profissionais que são associados do Rotary, e em união e conjunto a eles realizar os projetos sociais para que nossa comunidade seja beneficiada e atinja os seus objetivos de auxiliar ao próximo”.

 

Muita festa

Além de sua característica social, os clubes do Rotary também realizam diversos eventos durante o ano com o objetivo de reunir a comunidade rotariana e arrecadar verbas para concretizar diversos projetos. Um dos Rotarys mais “festeiros” da região, é o de Duartina (38 quilômetros de Bauru), que, além de seus eventos próprios, também faz parcerias com a prefeitura. Rotariano desde 2001, Leonel Artur Carvalho, 67 anos, responsável pela comunicação do clube da cidade, conta que os principais festejos dos rotarianos duartinenses são o “Porco no Rolete”, em maio, a “Feijoada Delivery”, em agosto, o “Pacto”, em setembro e, no fim do ano, o grande “Almoço dos Duartinenses”.

“Em maio nós fazemos o ‘Porco no Rolete’ e em agosto a ‘Feijoada Delivery’. Em setembro do ano passado fizemos o primeiro ‘Pacto’, que foi uma simulação acidente de trânsito no Centro da cidade com auxílio da Unidade de Resgate (UR), Samu. Neste dia também distribuímos folhetos com os cuidados que as pessoas devem ter no trânsito. No fim do ano, em parceria com a prefeitura, fazemos um almoço de recepção para os duartinenses que moram em outras cidades, mesmo sem ser membros do Rotary. O encontro consiste em um almoço gratuito e um jantar, este com as adesões pagas”, explicou Leonel.


Intercâmbio ajuda a ir ao exterior

Além de suas atividades sociais e campanhas, os clubes rotários também possuem opções de intercâmbio aos jovens do Interact, nomenclatura que define o Rotary para os jovens. Os interessados se candidatam quando o processo seletivo é aberto, passam por uma prova ampla, entrevista, e recebem os resultados de seu desempenho, como em um vestibular.

Nesta avaliação, o jovem dá cinco opções de países que gostaria de conhecer, mas é a nota de toda a prova e entrevista que determina o local de intercâmbio. É o que explica a jovem estudante Bruna Paniguel Gehring Cardoso, 17 anos. Na época membro do Interact, filha de rotariano, resolveu prestar o processo seletivo em 2011. “A prova é bem ampla, como um vestibular, mas não tão difícil. Tem questões de conhecimentos gerais, inglês, história, geografia. Passei por uma entrevista com duas pessoas para falar sobre o Rotary, o intercâmbio. Na prova eu tinha optado primeiro pelo Canadá, e depois Suíça, mas a minha nota determinou que eu fosse para a Suíça. Foi um intercâmbio de um ano, passei por três famílias, um aprendizado enorme”, contou Bruna.

Mesmo sem conhecer quase nada sobre a Suíça, a não ser chocolates e o frio intenso, Bruna viajou em julho de 2012. “Eu estava certa porque existem muitas lojas de chocolate, fábricas. Com o frio também (risos). Peguei um período de frio intenso com temperatura a menos 2 graus. Quando fazia 10, 15 graus, nós já achávamos calor”, complementou.

 

Conhecendo o mundo

A jovem morou com três famílias diferentes, sendo duas rotarianas, e teve que aprender a falar o alemão da Suíça, que é bem diferente do tradicional. “No início, eu me comunicava com eles em inglês, porque todos lá também falam inglês, mas depois eles quiseram que eu falasse o alemão de lá, que chamam de dialeto”.

Bruna morou na Basileia, localizada no noroeste da Suíça. Os intercambistas do Rotary Internacional são os filhos de rotarianos, entre 15 e 21 anos, que são enviados a qualquer parte do mundo. O jovem acolhido recebe uma mesada da família e o Rotary Internacional é quem paga os custos dos estudos no país visitado.