Em 17/02/14, Luciano Olavo da Silva, bacharel em direito, analista judiciário e especialista em direito eleitoral, manifestou-se neste jornal, por meio de um texto cujo título era "Bandido bom é bandido morto?".
A leitura deste artigo indignou-me profundamente. Não consigo entender o porquê que as pessoas insistem em considerar os criminosos como vítimas da sociedade e merecedores de compaixão, invés de punição. Não consigo entender o motivo que faz as pessoas acreditarem que os cidadãos de bem e o Estado são responsáveis pela decisão de um indivíduo de viver à margem das leis e desrespeitar de maneira contumaz as instituições.
O texto do bacharel Luciano é muito bem elaborado e persuasivo. Em um mundo perfeito, seria ideal. Mas, a vida real é bem diferente.
Por discursos como este, a sociedade brasileira foi convencida a referendar o desarmamento. Só se esqueceram de combinar com os marginais, para que eles também se desarmassem e parassem de nos assassinar a sangue frio, atirando em nossas costas e cabeças. Diversas vezes, apenas para ver de que lado o corpo cai. Desarmados, ficamos a mercê da violência sem a menor possibilidade de defesa.
No começo do mês, o policial militar Yuri José da Silva foi executado nesta cidade. Este jornal tem noticiado diversas vezes que policiais militares têm sido afrontados e hostilizados, tanto por bandidos quanto pela população que, infelizmente, parece odiar a polícia e venerar os criminosos.
Em minhas contas, menos de cinco manifestações foram publicadas nesta coluna a respeito do policial morto. Inacreditavelmente, a cidade de Bauru deu mais importância para a estátua da Havan, críticas aos agentes do GOT e ao dinheiro encontrado com o andarilho atropelado que a execução brutal de um policial que estava trabalhando, combatendo o crime e defendendo a sociedade.
Uma cidade que se mobilizou e foi às ruas para protestar por segurança não deveria calar-se diante do desrespeito à polícia e da execução de um policial que representava a tal clamada segurança.
Quando matam um policial é porque as coisas estão realmente ruins, porque matar o cidadão de bem é "normal", matar um policial é ultrapassar a última barreira entre a civilidade e a barbárie. Não me recordo de ter lido o nome do analista judiciário em uma destas poucas manifestações que li nesta tribuna. Desculpo-me se estiver equivocada.
Amarraram um criminoso a uma arvore e uma legião de defensores dos "direitos dos manos" acusou os cidadãos que amarraram o sujeito de torturadores e criminosos, "humanos degenerados", "bestas selvagens", "um lobo, sempre disposto a devorar seu igual em busca de benefícios individuais", "inapto a uma participação política organizada, capaz de exigir pacificamente seu direito à segurança e à justiça, mas não hesita em mobilizar clãs primitivos que desrespeitam direitos humanos de terceiros e promovem vinganças egoísticas, feito chimpanzés que defendem o território contra invasores inoportunos", etc.
Ora, diuturnamente os cidadãos de bem são amarrado em árvores, sequestrados, torturados, mortos, estuprados e não vejo quem nos defenda veementemente em colunas de jornais. Agora, quando acontece com um marginal, pronto! Brota do chão e desce do céu quem defenda autores de atos vis.
Acredito que as pessoas são responsáveis por suas atitudes. Escolhemos ser honestos ou não, trabalhadores ou não, educados ou não, gentis ou não. Criminosos ou não. Simples assim! Sobram vagas de emprego em Bauru. Sobram vagas nas escolas técnicas e faculdades.
Bandidos não têm oportunidade? Eles querem estudar? Querem começar de baixo? Querem trabalhar e evoluir na profissão? Querem ganhar um salário mínimo? Não!
O que eles querem é ganhar o que ganha uma pessoa que estudou ou trabalha em um bom emprego (sem trabalhar ou estudar para isso) e para ter isso, eles matam, roubam, traficam e barbarizam os cidadãos de bem. Sem dó nem piedade!
Não acredito que quem age com vileza contra uma pessoa de bem não deva ser punido. Para quem discorda, repito a campanha da repórter que polemizou o assunto do bandido amarrado na árvore: Faça um favor ao Brasil: adote um bandido! Afinal, a legitima defesa coletiva parece ser legitimada pela insegurança que somos expostos diariamente.
Caro Luciano, não desejo mal a você, tampouco à sua família. Mas, se um dia, por infelicidade, você ou alguém de sua família for assaltado, sequestrado, estuprado ou barbarizado de alguma maneira por um desses criminosos que você defende por considerá-los vítimas da sociedade, gostaria que viesse novamente a este jornal e revelasse se o sangue, o pavor, os traumas, a sensação de impotência e as lágrimas mantiveram sua opinião. Afinal, diz o ditado que pimenta nos olhos dos outros é refresco.
Tenho estado muito desanimada com este país. A maioria das pessoas não tem mais educação, não respeita nem os pais e a família ? que dirá os professores- não respeita a polícia, nem as instituições. Estamos indo de mal a pior. Os valores realmente estão invertidos, como disse o especialista em direito eleitoral.
Nossos constituintes quiseram proteger os presos políticos ? que mereciam toda proteção- pois lutavam por liberdade e democracia. Esqueceram, contudo, de incluir o termo "políticos" e os direitos foram estendidos a todo tipo de preso. Pergunto, quem tem mais direito neste país: os bandidos ou os cidadãos de bem?
O cidadão de bem não tem valor neste país. Infelizmente, a verdade é que parece que cidadão bom e cidadão morto!
Gizele Regina Miranda dos Santos