O secretário municipal da Fazenda de Salvador, Mauro Ricardo Costa, afirma ter sido mal interpretado nas declarações em que lamentou não poder colocar as pessoas que têm dívidas com o município no "pelourinho" -em referência às colunas onde escravos e criminosos eram açoitados no período colonial.
"Quero, entretanto, pedir desculpas a todos, especialmente à comunidade negra, e esclarecer que minhas palavras não tiveram qualquer cunho racista ou preconceituoso, nem relação com qualquer pessoa ou grupo", afirmou Costa, em nota enviada à imprensa.
O secretário ainda acusa a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que emitiu nota repudiando as declarações do secretário de "retirar do contexto" e "distorcer" as palavras ditas por ele.
"Sugeri punição dos sonegadores de impostos, prática capitulada como crime pela legislação brasileira, mas que alguns setores insistem em tratar como algo natural ou crime menor", afirmou.
Polêmica
A declaração de Mauro Ricardo que também é ex-secretário de finanças de São Paulo foi dada na última quinta-feira, em entrevista a uma emissora de rádio da capital baiana.
O secretário respondia à pergunta de um ouvinte que questionava o porquê de a prefeitura não recuperar de forma mais célere o dinheiro da dívida ativa (débitos que os contribuintes têm com o município).
"Antigamente se botava as pessoas no pelourinho para poder pagar as suas dívidas. Infelizmente, hoje não é mais assim. Hoje, a Justiça é quem define o prazo [...] e essas dívidas estão sendo cobradas judicialmente", disse Costa na ocasião.
Deputados, vereadores e lideranças do PT criticaram as declarações e defenderam a demissão de Mauro Ricardo.
Pelourinho é o nome dado a colunas feitas de pedra ou madeira fincadas nas praças onde os escravos e criminosos eram amarrados para serem açoitados no período colonial.
Em Salvador, um dos principais pontos para o açoitamento dos escravos e criminosos no período colonial ficava na região atual centro histórico e deu nome a um pontos turísticos mais visitados da cidade: o Pelourinho.