A Rússia disse ontem que não tratará com aqueles que tomaram o poder por meio de um “motim armado” na Ucrânia, enviando o sinal mais forte até agora de que Moscou não quer ser arrastado a uma guerra de apostas com o Ocidente sobre seu vizinho do sul.
Questionando a legitimidade das novas autoridades pró-europeias que assumiram depois que o Parlamento da Ucrânia removeu o então presidente Viktor Yanukovich, que era apoiado pelo Kremlim, o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, disse que não via ninguém com quem pudesse tratar em Kiev.
Ele não declarou morto um pacote de resgate de US$ 15 bilhões da Rússia para a Ucrânia, embora o futuro do pacote seja duvidoso, mas sinalizou que um acordo pelo qual a Ucrânia paga um preço reduzido pelo gás russo tem data para vencer e que uma prorrogação teria de ser negociada.
Com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ainda comemorando o sucesso russo na Olimpíada de Inverno de Sochi, sobrou para seus assessores lidar com uma crise que não saiu como o esperado e reduziu a influência russa na Ucrânia.
“Falando estritamente, não há ninguém com quem conversar lá. Existem grandes dúvidas sobre a legitimidade de uma série de órgãos de poder que estão funcionando agora lá”, disse Medvedev a agências de notícias russas.
“Alguns de nossos parceiros estrangeiros pensam diferentemente, acreditam que eles são legítimos... Não sei qual Constituição eles leram... Mas parece para mim que é uma aberração chamar de legítimo algo que é essencialmente resultado de um motim armado.”
Pais quer ajuda de US$ 35 bi
O governo interino da Ucrãnia disse ontem que precisa de US$ 35 bilhões em ajuda internacional pelos próximos dois anos e clamou por um resgate urgente após a deposição do presidente. O ministro das Finanças disse ter convocado uma conferência de doadores e que precisa de uma ajuda inicial nas próximas semanas.
O presidente interino, Oleksander Turchinov, conduzido ao cargo após Viktor Yanukovich ter sido deposto pelo Parlamento no sábado, disse no domingo que a Ucrânia estava próxima de um default e que a economia está à beira de um colapso.
“Pelos últimos dois dias, nós consultamos e nos reunimos com embaixadores da União Europeia, dos EUA e de outros países e instituições financeiras sobre uma entrega urgente de assistência macrofinanceira para a Ucrânia”, disse o ministro das Finanças interino, Yuri Kolobov, em comunicado. Ele disse que a conferência internacional de doadores deveria envolver representantes da UE, dos EUA e do Fundo Monetário Internacional. A Ucrânia tem US$ 6 bilhões em dívida pública a vencer até o final de 2014.