09 de julho de 2026
Regional

Funcionários de banco são mantidos reféns em Barra Bonita

Marcus Liborio com Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Denúncia feita por vizinhos, que perceberam anteontem à noite movimentação atípica em um imóvel no Jardim Nova Estância, em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), ajudou a Polícia Militar (PM) a frustrar o sequestro de dois casais, entre eles dois funcionários de uma agência bancária da cidade. Após serem “descobertos”, os ladrões, que pretendiam manter as vítimas em cárcere privado para roubar dinheiro do cofre do banco pela manhã, fugiram. A Polícia Civil tenta identificar a quadrilha. No início do mês, caso semelhante ocorreu em Bocaina (leia mais abaixo).

A ação dos criminosos durou cerca de uma hora e meia e começou por volta das 20h30. Segundo a PM, dois homens em um carro branco, usando bonés e óculos escuros e armados com pistolas, abordaram um assistente de negócios de agência do Banco do Brasil de Barra Bonita quando ele entrava com o carro na garagem de casa, no bairro Sonho Nosso IV.

O homem de 42 anos e a esposa dele, de 33 anos, foram obrigados a entrar no veículo branco e a seguir até uma torre de transmissão localizada às margens da rodovia Otávio Pacheco de Almeida Prado (SP-255), a Bauru-Jaú. No local, outros três homens, um deles armado com fuzil, se juntaram à dupla.

O grupo anunciou o sequestro, mas descobriu que a vítima não tinha acesso ao cofre do banco e que o gerente morava em outra cidade. Diante do grave engano, os assaltantes tiveram que partir para o “Plano B”.

Ainda de acordo com a polícia, após ameaças, o assistente de negócios foi obrigado a levar os ladrões até a residência do tesoureiro da agência, no Jardim Nova Estância, onde o homem de 50 anos e a esposa dele, de 54 anos, também foram feitos reféns.


O plano

O plano da quadrilha, segundo a PM, era manter os casais em cárcere privado durante a noite e a madrugada. Pela manhã, parte do grupo acompanharia o tesoureiro e o assistente de negócios até o banco enquanto os demais levariam as mulheres até um local distante.

Já na agência, sem levantarem suspeitas, os funcionários seriam obrigados a retirar o dinheiro do cofre. Em posse do valor, os criminosos libertariam as vítimas.

Investigações

O delegado Antônio Ângelo Meneghel explica que, por se tratar de um sequestro, além das investigações coordenadas pela delegacia seccional de Jaú, o caso também será remetido ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) na Capital. Por enquanto, segundo ele, não há pistas dos envolvidos.

Ele não descarta relação com um caso recente ocorrido em Bocaina. “Pode ser que seja uma quadrilha, uma organização criminosa, que esteja agindo nesse sentido. Agora, se é a mesma, se tem ligação, a Polícia Civil não sabe ainda”, diz. “É o mesmo modus operandi”.


Ação frustrada

Os criminosos utilizaram armas para ameaçá-las e exigiram que ficassem de cabeça baixa. Apesar dos momentos de tensão, ninguém se feriu. A ação foi frustrada após denúncia de um vizinho, que estranhou a movimentação atípica no interior da casa do tesoureiro e acionou a PM. Diante da suspeita de sequestro, um policial militar telefonou para o celular de uma das mulheres, informado pelo vizinho. Quando o telefone tocou, um dos ladrões pediu para que ela deixasse a ligação no viva-voz.

Ao ouvir a conversa e descobrir que a polícia havia sido avisada, a quadrilha desistiu da ação criminosa e fugiu.


B. Bonita já teve caso igual

Quatro homens portando revólveres e armas longas renderam no dia 15 de outubro do ano passado o gerente de agência bancária e a mulher dele, ambos de 56 anos, quando eles entravam com o carro na garagem da residência onde moram, no Recanto Regina, em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru).

O casal foi mantido refém pela quadrilha durante a noite e parte da madrugada. Por volta das 4h do dia 16, a mulher teve os olhos vendados e foi levada pelos assaltantes em um carro. Pela manhã, o gerente seguiu até a agência bancária onde trabalha, em Dois Córregos, e retirou uma quantia em dinheiro do cofre.

A reportagem apurou que os ladrões teriam pedido R$ 500 mil para soltar a esposa da vítima, mas ele teria conseguido retirar do banco R$ 240 mil. O valor foi entregue por ele aos criminosos em uma cidade da região de Jaú. No final da tarde, a esposa do gerente foi libertada sem ferimentos em Rio Claro. Nenhum dos envolvidos foi preso.

No último dia 6, familiares da gerente e do subgerente de agência bancária de Bocaina foram rendidos e mantidos reféns durante mais de 14 horas por sete homens armados. Na manhã do dia seguinte, os funcionários foram obrigados a seguir com os criminosos até o banco para abrir o cofre. A quantia levada não foi divulgada. Após o roubo, as vítimas foram libertadas sem ferimentos.