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Reprodução Facebook |
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Polícia Civil investiga a morte suspeita do jornalista |
O corpo do jornalista Hélton Eduarti Souza, 28 anos, de Pedranópolis (300 km de Bauru), foi encontrado na entrada do recinto de rodeio da cidade de Valentim Gentil, na manhã desta quinta-feira (27).
Ele, que foi repórter da Folha da Região, de Araçatuba, entre agosto de 2010 e setembro de 2013, estava desaparecido desde a noite anterior. Hélton também trabalhou no Diário da Região de São José do Rio Preto.
Segundo a polícia, havia uma camisa enrolada no pescoço da vítima e parte da vestimenta estava dentro da boca dela, que pode ter sido morta por estrangulamento. Até o começo da noite de hoje ninguém havia sido preso acusado pelo crime.
O cadáver foi encontrado por dois homens que chegaram por volta das 8h30 ao recinto, que fica no quilômetro 0,2 da estrada vicinal Antônio Pimentel. A dupla trabalha na construção de uma bilheteria e encontrou o corpo dentro de uma das salas. Consta no boletim de ocorrência que Souza estava deitado no chão, com a barriga para cima. Ele tinha uma camisa parcialmente dentro da boca e o restante dela enrolado ao pescoço.
Como o jornalista não portava nenhum documento, a identificação foi feita somente depois que o carro dele, um Chevrolet Onix, foi encontrado abandonado a mais de três quilômetros de distância, no quilômetro 0,1 da estrada vicinal Gabriel Fernandes Casqueti, no bairro Viradouro. O veículo estava trancado e por isso foi guinchado até o pátio da delegacia da cidade.
Somente no início da tarde familiares levaram a chave reserva para que o carro fosse aberto e periciado por homens do Instituto de Criminalística de Votuporanga. Segundo o que foi apurado pela reportagem, o toca-CD do veículo foi retirado. A bolsa com um notebook que ele usava no trabalho e dois aparelhos de celular da vítima também não foram encontrados.
Desaparecimento
A notícia do desaparecimento de Souza foi publicada na página social dele na Internet por volta das 21h de quarta-feira. Nessa hora, a família já tinha procurado a polícia para registrar um boletim de ocorrência (BO) comunicando o fato.
Hélton Eduarti Souza atualmente trabalhava na assessoria de imprensa da Santa Casa de Fernandópolis. Por volta das 11h, a reportagem entrou em contato com o hospital, que confirmou que não tinha notícias da vítima desde as 17h de quarta-feira, quando deixou a Santa Casa ao término do expediente.
Por volta das 18h ele saiu da casa de uma irmã, ainda em Fernandópolis, e disse que iria à academia. Entretanto, não teria comparecido ao local. Uma testemunha o viu saindo de uma residência na cidade por volta das 19h. Depois disso, não houve mais contato.
Policiais civis de Valentim Gentil, de Pedranópolis, de Fernandópolis e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Votuporanga realizaram várias diligências durante toda a tarde de hoje na tentativa de encontrar pistas que levem à autoria do crime.
De acordo com o delegado seccional de Votuporanga, Osni Marchy, a Polícia Civil não medirá esforços em tentar esclarecer o mais rápido possível a morte do jornalista. Conforme Marchy, as equipes das duas delegacias concentravam as buscas principalmente nas cidades de Valentim Gentil, Pedranópolis e Fernandópolis.
Até o começo da noite desta quinta-feira o delegado Fabrício Goulart Boschilia, que acumula a função em Valentim Gentil, estava em Fernandópolis fazendo buscas. A principal linha de investigação da polícia era que o crime se tratava de latrocínio, que é roubo seguido de morte.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Votuporanga e, no início da tarde, um médico legista de São José do Rio Preto fez o exame necroscópico. Informações preliminares indicavam que o jornalista apresentava hematomas na altura da virilha. A vítima também apresentava sinais de um chute na barriga. Um laudo a ser emitido em até 30 dias deve apontar as causas da morte.
Por volta das 16h, o corpo foi encaminhado para uma funerária e seria preparado em Fernandópolis antes de seguir para Pedranópolis onde será feito o velório. O enterro será nesta sexta-feira, às 8h, no cemitério da cidade.
Suspeita
Maria de Lourdes dos Santos Souza, 56 anos, mãe do jornalista, contou à reportagem que estava em Fernandópolis na casa da outra filha na quarta-feira e esteve com o filho logo após ele sair do trabalho. "Ele ficou um pouco com a gente e saiu por volta das 18h dizendo que iria à academia", informou.
No início da noite, os pais de Souza voltaram para casa em Pedranópolis, que fica a cerca de 13 quilômetros de Fernandópolis, e como ele demorou a aparecer, começaram a se preocupar. "Ele viajava todo dia para ir trabalhar. Tinha dia que ele chegava 21h, mas ontem ele não apareceu. Ele não tinha esse costume, pois se fosse para outro lugar ele avisava", contou.
Como os pais não conseguiram contato com o celular dele até o final da noite, resolveram viajar até Fernandópolis na tentativa de encontrá-lo, mas não o viram.
Maria de Lourdes conta que ainda de madrugada, quando já estava de volta em casa, recebeu uma mensagem no celular, enviada pelo telefone do jornalista, informando que ele estaria na casa de um amigo em Votuporanga, que dormiria lá, de onde iria para o trabalho pela manhã. "Eu percebi que não era ele, pois havia muito erro de digitação", comentou.
Um pouco mais tarde, nova mensagem foi enviada do celular da vítima à mãe dela, informando que ele iria para o Paraguai com o tal amigo e retornaria apenas no sábado. "Novamente duvidei que fosse ele, pois ele jamais faria isso. Acho que a pessoa que estava com o celular queria ganhar tempo", disse.
Logo após o corpo de Souza e o carro dele terem sido encontrados, a família foi comunicada pela polícia. Maria de Lourdes preferiu não ir a Valentim Gentil e um sobrinho dela acompanhou os trabalhos da polícia. "É uma situação muito difícil. Ele estava muito bem no serviço. Estava muito feliz. Gostava muito do que fazia. Não tinha nada que ele não enfrentasse", desabafou a mãe.