09 de julho de 2026
Internacional

Ucrânia alerta Rússia sobre Crimeia

Por Alessandra Prentice | Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

A queda do governo local, a convocação de um referendo de independência e a invasão do prédio do Parlamento aumentaram ontem a tensão na Crimeia, região autônoma da Ucrânia.

O local se transformou no principal foco de conflito na Ucrânia desde a queda do presidente Viktor Yanukovich. Ele foi deposto no último sábado, após meses de protesto contra sua política de aproximação com a Rússia.A ação alarmou os novos governantes da Ucrânia, que pediram a Moscou que não mobilize tropas na península, onde a Rússia mantém uma base naval.  A maioria russa do território não reconhece o novo governo, que quer privilegiar as relações com a União Europeia em detrimento da Rússia.

Na madrugada de ontem, homens com lançadores de granada e fuzis invadiram o Parlamento e a sede do governo na capital da Crimeia, Simferopol. O grupo hasteou bandeiras russas e gritou mensagens a favor do país vizinho.

Segundo testemunhas, os invasores usavam fardas e roupas pretas e laranjas, cores símbolo da honra militar na Rússia. A ocupação foi apoiada por centenas de manifestantes, que veem o novo governo como fascista e desejam proteção russa. Para a ala favorável à queda de Yanukovich, há soldados russos entre os invasores. O ex-líder do Legislativo da Crimeia Serhiy Kunitsyn, aliado do novo governo em Kiev, afirmou que os invasores pareciam treinados.

Mesmo com o prédio ocupado, o Parlamento da Crimeia decidiu dissolver o gabinete do primeiro-ministro local, Anatoli Mohyliov, e convocou um referendo sobre a emancipação da região em 25 de maio, junto com a eleição presidencial ucraniana.

A invasão de prédios do governo foi criticada por autoridades ocidentais. Para o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, a ação foi “perigosa e irresponsável”.


Yanukovitch se considera presidente

Viktor Yanukovitch ainda se considera presidente da Ucrânia e chama de ilegítimas as decisões tomadas pelo Parlamento, que votou sua destituição e nomeou autoridades de transição, segundo uma declaração enviada a agências de notícias russas. O chefe de Estado destituído, que permanece em paradeiro desconhecido desde sábado, quando tentou, sem sucesso, embarcar em um avião em Donetsk (leste do país), não informa no texto sua localização. Ele pede ao governo da Rússia que garanta sua “segurança pessoal” ante os “extremistas”.

Pouco depois, uma fonte do governo russo, citada por agências do país, afirmou que Moscou atendeu o pedido de Yanukovitch de garantir sua segurança pessoal em território russo, o que dá a entender que o presidente destituído está na Rússia.