08 de julho de 2026
Carnaval 2014

No tempo do confete e serpentina

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

Um Carnaval bem mais lúdico do que o atual, embalado principalmente por marchinhas, fantasias minuciosas, muito confete, serpentina e lança-perfume, hoje proibido no País. É o que o visitante da exposição fotográfica sobre os antigos carnavais de Bauru pode conferir na Casa Ponce Paz até o próximo dia 10 deste mês. São 320 fotografias que retratam os carnavais de Bauru desde a década de 10 até os anos 90 do século passado, passando por bailes realizados em clubes, blocos carnavalescos e pela transição das festas de rua para as escolas de samba.

Parte do acervo exposto, que pertence ao memorialista Luciano Dias Pires, editor do suplemento Bauru Ilustrado do JC - que circula hoje com especial de Carnaval -, e ao Museu Histórico Municipal, foi digitalizada e está disponível ao público em slides. A produção da mostra é cuidadosa e o clima dos velhos carnavais é garantido pela execução de tradicionais marchinhas.

Pires relata que o Carnaval de Bauru era um dos maiores no interior de São Paulo. “Bauru chegou a ter Carnaval com dez clubes realizando bailes nos quatro dias e alguns começando na sexta-feira. E era lotação completa em todos. Era o Automóvel Clube, Bauru Tênis Clube, Bancários, Paulista, Nipo, Noroeste, BAC, Luso, Country Clube, Grêmio Bauruense, além dos bailes populares”, lembra.

Nas ruas a empolgação não era menor, como demonstram as fotografias da exposição, que retratam multidões se divertindo. Era o tempo dos blocos, Carnaval antecessor à era das escolas de samba. “Nos tempos bem antigos, quando não existia escola de samba ainda, tínhamos os blocos carnavalescos. E com seus conjuntos musicais e fantasias, desfilavam pelas ruas de Bauru à noite, que era o chamado corso. Depois, iam para os galpões que alugavam para fazer os bailes deles”, comenta Pires.

CENTRO AO SAMBÓDROMO

O memorialista acredita que o primeiro sinal de Carnaval em Bauru remonta ao início do século passado e era realizado na rua Araújo Leite. “Mas não temos vestígio nenhum. Tenho duas fotografias que mostram o Carnaval já na praça Rui Barbosa. Os carros ficavam circulando a praça e o povo se divertia”, aponta. Estes registros datam da década de 1910.

Pires revela que, da praça Rui Barbosa, o Carnaval bauruense evoluiu para as ruas Batista de Carvalho e Primeiro de Agosto. “Era um círculo em duas mãos nas duas ruas. O povo ficava na lateral da rua jogando serpentina, confete e lança-perfume. Os carros passavam com os foliões muito bem fantasiados”, elogia o memorialista.

Com o crescimento da folia, as ruas Batista de Carvalho e Primeiro de Agosto ficaram estreitas para a festa e o Carnaval migrou para a avenida Rodrigues Alves por volta dos anos 1950, explica Pires. “Foi quando começaram a surgir os carros alegóricos e as escolas de samba. A cada ano era uma escola mais sofisticada do que a outra e os clubes também desfilavam com seus carros alegóricos”, recorda.

O tamanho dos carros e da festa levaram o Carnaval bauruense à avenida Nações Unidas e, posteriormente, nos anos 80 ao Sambódromo. Houve um momentâneo retorno à Nações e a ida definitiva para o Sambódromo.

A Casa Ponce Paz fica na rua Antônio Alves, 9-10, esquina com a rua Ezequiel Ramos. Horários de visitação: segunda a sexta, das 8h às 18h.