Dos índios caingangues ao lanche bauru: a intenção da escola de samba Acadêmicos da Cartola, que fecha agora o primeiro dia de desfiles no sambódromo, é mostrar que Bauru é realmente o “cesto de frutos”, repleto de personalidades e feitos importantes. Para mostrar isso na passarela do samba, a Cartola conta a história de “Uba-Uru”, nome indígena que deu origem ao que conhecemos e chamamos hoje por Bauru.
A escola que acumula vários títulos do Carnaval bauruense, também campeã nos dois últimos anos, vai fazer esse trabalho de resgate com 13 alas, cinco carros alegóricos (além de um duplo) e, provavelmente, será a agremiação que mais levará foliões para o desfile: pelo menos mil pessoas.
Os caingangues
Os caingangues, índios que habitavam a nossa região, são lembrados no enredo da Cartola “Frutos de uma terra abençoada - Uba-Uru”. Um resgate interessante, já que pouca gente sabe da história da resistência desses índios frente à ocupação do município.
Além da homenagem aos caingangues, o enredo evolui com destaques a personalidades de Bauru, que marcaram também momentos importantes e ajudaram a escrever a história da cidade. “A nossa ideia é falar das personalidades que Bauru ‘lançou’ para o Brasil inteiro. E nesse sentido, cada setor cultural vai ser representado no enredo, segundo a pesquisa que fizemos”, indica o carnavalesco José Horácio Gonçalves.
Terra abençoada
O enredo homenageará a arquitetura de Jurandyr Bueno; também o criador do sanduíche bauru, Casimiro Pinto Neto; o pioneiro João Coube, que impulsionou a indústria gráfica na cidade; o fundador da primeira rádio em Bauru, João Simonetti, importante “símbolo” dos primórdios da comunicação de Bauru, assim como Tobias Ferreira, que é radialista e também amante do Carnaval bauruense.
Vão receber homenagens também a Casa da Eny, que ficou famosa Brasil afora; o astronauta de Bauru, Marcos Pontes, Celina Neves, Mauro Rasi, Edson Celulari e outras personalidades. Pessoas ligadas à música, ao esporte e educação também serão lembradas. Fora tudo isso, a Cartola fará uma homenagem ao próprio Carnaval bauruense, e o que ele representa para a cidade.
Destaque anônimo
A beleza de cada carro alegórico da Cartola passa por um trabalho criterioso, que exige dedicação e atenção. E nada melhor do que poder contar com o olhar atento do mecânico Luiz Madureira, que “dá o sangue” pra fazer a Cartola sair na avenida com “tudo em cima”. Aos 55 anos, ele conta que participa do Carnaval desde 1979. E é praticamente um “faz tudo”. “Não tem nada fácil. Já até queimei meu dedo com cola quente. Cada detalhe é muito importante. Depois, a sensação é ótima, de ver tudo pronto; a satisfação quando a escola vai pra avenida e o povo gosta é enorme”.
Na bateria
Em meios aos “grandes”, João Vitor Gomes, de apenas 12 anos, é um dos mais novos integrantes da bateria da Cartola. Ele toca o surdo com habilidade, coisa que aprendeu apenas através da observação, já que o pai, Denis, é mestre de bateria. “Na hora, dá medo de algo sair errado. Mas é só ensaiar bastante”, garante ele.
Ficha técnica
Escola de samba Acadêmicos da Cartola
Fundada em: ano de 1976
Bairro: Parque Vista Alegre
Campeã: dez vezes
Atual presidente: Pasqual Storniolo
Enredo 2014: “Frutos de uma terra abençoada - Uba-Uru”
Integrantes: cerca de 1.200
Carros alegóricos: cinco, mais um duplo
Alas: 13