09 de julho de 2026
Bairros

Sinal verde em relações maduras

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 2 min

Pequenos ou grandes, eles fazem sucesso na vizinhança e quem tem garante que os jardins aproximam as pessoas pelo hábito de pedir mudar e trocar dicas de jardinagem.

Na casa do casal Nelson Fassoni e Eunice Aloisi Fassoni não faltam plantas. A quantidade de espécies, principalmente de folhagens, é tamanha, que eles não sabem dizer quantas são. “Mas eu garanto que tenho plantas com mais de 30 anos de idade. Temos tamareiras com essa idade. Ganhamos as sementes da pianista Honorina Selmo Escobar, que as trouxe do Marrocos. Já produzimos mudas para outras pessoas”, destaca dona Eunice.

E por falar em mudas, o casal perdeu as contas também de quantas plantas já deu para amigos, familiares e vizinhos. “As pessoas ficam doidas com o jardim, principalmente quando está florido. Muitos chamam no portão para pedir sementes ou mudas. Nós construímos o jardim e temos plantas nos corredores da casa, dentro dela... Além de mais feliz, o ambiente fica mais fresco”, aponta “seo” Nelson, que vive com a esposa na quadra 5 da rua Rui Barbosa, no Jardim Bela Vista.


Para dar boas vindas

Suavizar a chegada de visitas e dar as primeiras boas-vindas até mesmo para quem está de passagem pela calçada. Estes são apenas dois dos benefícios de um jardim na frente de casa, na visão do designer Marcos Spetic, morador da quadra 2 da rua Antônio dos Reis, no Higienópolis.

Floreiras sustentáveis com bromélias nas janelas, feitas com embalagens de leite e café, completam o cenário da residência que também abriga clerodendros, aloe vera, entre muitos outros tipos de vegetação. “A ideia do clerodendro, que é um tipo de trepadeira, é atrair beija-flores. E isso tem acontecido muito”.

Para Marcos, os jardins são raros hoje em dia porque as pessoas não têm tempo nem para cuidar de plantas, nem para falar com vizinhos... “Antes as pessoas tinham mais contato com os moradores da rua. Hoje as ruas são apenas para o trânsito, infelizmente. Mas ter um jardim também é uma forma de retomar esse hábito do passado. Outro dia mesmo, uma vizinha me pediu babosa, uma mulher que passou pela calçada, também. Então acredito esses espaços favorecem a interação pessoal”, defende.


‘Fazemos a nossa parte’

Já para a aposentada Rosângela Graziano, cultivar um espaço verde em casa é mais do que terapia ou interação com a vizinhança: também é obrigação de cidadã. “Minha família acredita que cada um deve fazer a sua parte pela beleza e pelo meio ambiente da cidade. E existe melhor forma do que um jardim?”

Segundo relata a moradora da quadra 1 da rua Geraldo Vitório da Silva, no Jardim Marambá, a família sempre teve plantas em casa, é algo que ela aprendeu ainda na infância.  “É claro que já pensamos em cimentar a frente da casa, até mesmo para evitar a sujeira das folhas e o trabalho com a grama. Mas desistimos. O verde é lindo. Também não abrimos mão da árvore na calçada”, afirma, enquanto cuida do seu pedacinho de natureza.