08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Chico Xavier


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Entrevista no dia 20 de dezembro de 1971. Francisco Cândido Xavier retornou ao Programa "Pinga-Fogo", na TV Tupi de São Paulo, Canal 4, às 22h. O programa, que teve a duração de 4 horas e 25 minutos, foi transmitido para vários Estados via Embratel. Saulo Gomes pergunta: Chico, que pensam os chamados benfeitores espirituais quanto à posição do Brasil atual, seja no terreno político ou social? Resposta: A posição atual do Brasil é das mais dignas e das mais encorajadoras para nós, porque a nossa democracia está guardada por forças que nos defendem contra a intromissão de quaisquer ideologias vinculadas à desagregação. Precisamos honorificar a posição atual daqueles que nos governam, que vigiam sobre os nossos destinos. Devemos crer muito, pedir muito a Deus e unir os nossos pensamentos para que a união seja preservada, dentro das nossas Forças Armadas, para que nós tenhamos o direito de orar, isto é, discursar, permutar livremente os nossos pontos de vista, dar os nossos pareceres, emitir as nossas opiniões em matéria de vivência particular e coletiva. Portanto, com todo o respeito, sem nenhuma ideia de bajulação, digo que nós devemos pedir para que tenhamos a custódia das Forças Armadas, até que possamos encontrar um caminho em que elas continuem nos auxiliando como sempre, para que nós não venhamos a descambar para qualquer desfiladeiro de desordem.

Nós não podemos ignorar - abramos um parêntese, muitos de nós acreditam que as Forças Armadas devem apenas funcionar nas ocasiões de beligerância, nas ocasiões de guerra, diante do mundo civil. Mas a verdade é que, espiritualmente, estamos em grande conflito com ideias, trazidas ao nosso meio pelas comunicações de massa, pelas impressões de nosso tempo. Nós sabemos que a persuasão química, a própria chamada felicidade química, podem ser trazidas com nosso povo, através de governos que possamos aceitar, com invigilância.

Essas ocorrências eliminariam de nossa vida a possibilidade de vivermos como povo livre. E a nossa resistência psicológica acabaríamos, num povo, talvez fantoche. Só compreendemos a ordem quando a desordem aparece. Nós, como brasileiros, não devemos proceder em moldes de insensatez. Reverenciemos aqueles que estão guardando o sentido da ordem em nosso País e fazendo com que cada um de nós possa desfrutar desse beneficio da ordem em nossa vida particular, em nossos lares, em nossos grupos sociais, em nossas empresas de trabalho, dentro da liberdade que estamos desfrutando. Porque só não estamos desfrutando uma espécie de liberdade: aquela liberdade de prejudicar a comunidade. E nós estamos no tempo das massas e não devemos prejudicar a ninguém, muito menos a coletividade. Devido à extensa resposta, essa compilação está sucinta, no interesse total da resposta. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Darcy Bueno