09 de julho de 2026
Carnaval 2014

Folia: bairros ?tiram o pé do chão?

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Quishi Goto

Entrosados na dança, Suzana Miranda, 37 anos, e Nemias José, 40, conheceram-se durante a folia: “Trocamos telefones”

As irmãs Isabele Laura, 7 anos, e Yasmin Santana, 6, tinham duas preocupações na noite de ontem. Dançar bastante e não deixar que o molho de tomate de seus lanches caísse nas fantasias de, respectivamente, Sininho e Bruxinha. Enquanto isso, jovens e adultos tinham uma missão a mais: arrumar um par para curtir a folia. Assim foi o clima do Carnaval popular ontem no Bauru XVI.

O primeiro dia da folia, que é totalmente gratuita, ocorreu na praça Mirtes Sakai Bastos Pinto. Além da Sininho e da Bruxinha, Lucinéia Santos, 33 anos, levou a outra filha Ingrid Lorraine, 11, e a sobrinha Isabele Maysa, 9, para curtir as animadas músicas da banda Tropical Super Som. “É muito bom ver o Carnaval aqui. Não temos muitas opções de lazer normalmente. Então, dá para aproveitar bastante”.

E quem aproveitou muito também foi Nemias José, 40 anos, e Suzana Miranda, 37. Após muitas danças de axé coladinhos, eles arrumaram um minutinho para falar com o JC. “Acabamos de nos conhecer”, disse Nemias, que é morador do Mary Dota. “Mas nossa intenção é dançar não só hoje. Já trocamos telefone e endereço”, revelou, aos risos, Suzana, que vive no Fortunato Rocha Lima.

E por todo lugar da praça era isso que se via: muita diversão para todas as idades tanto para os moradores do Bauru XVI quanto para os de outros bairros. “O ser humano merece isso. Merece essa festa para se divertir”, analisou o vendedor Wanderley Rodrigues Moraes, 50 anos.

Já seu amigo, Tiago Alves de Brito, 28 anos, afirmou estar orgulhoso de ver seu bairro recebendo o Carnaval este ano. “Não tem lugar melhor para fazer essa festa. Aqui é só alegria”.

Até bebê

O clima estava tão tranquilo que o casal Wagner Ribeiro, 43 anos, e Helen Carvalho, 24, resolveu levar o filho Otávio Miguel, de apenas 9 meses, para sua primeira noite carnavalesca.

“É um divertimento a mais. Acaba sendo um momento tanto de festa para quem quer curtir quanto para nós, que queremos um passeio de família. Até o momento, não vimos nada de violência. Está tudo bem seguro”, elogiou Wagner.

E até quem não estava lá para se divertir acabou se dando bem. O vendedor de algodão doce Osmar Fernandes, 54 anos, comemorou o sucesso nas vendas. A festa mal havia começado e só havia mais quatro algodões em seu “estoque”. “O movimento e as vendas estão ótimos”.

Porém, em clima de Carnaval, não foi bem o algodão doce que atraiu a garotada. É que o produto vem com uma máscara junto. “A criançada acaba ficando de olho na máscara mesmo. Vira fantasia. E nenhuma época melhor para fantasia do que agora, né?”, finalizou.

Se você perdeu a folia de ontem, não precisa ficar chateado. Amanhã tem mais Carnaval popular em Bauru. A festa será das 19h às 23h no Jardim Redentor, na praça Alcides Pasquarelli, próximo ao Panelão. Os foliões contarão novamente com a apresentação da banda Tropical Super Som.


Descentralizar

O secretário municipal de Cultura, Elson Reis, explica que o Carnaval popular está cumprindo, pelo segundo ano consecutivo, seu principal objetivo: a descentralização da folia. “Essa é uma política do município. Assim como outras atividades culturais, nossa meta é descentralizar o Carnaval”.

Ele explica que, em 2011 e 2012, o Carnaval popular foi realizado no Vitória Régia, porém, não atendeu de maneira exata essa finalidade. “O Vitória acaba sendo perto do Sambódromo. São públicos semelhantes. E as pessoas dos bairros tinham que se deslocar tanto para um quanto para o outro. E isso é diferente nesse modelo de Carnaval popular realizado nos bairros”.

A ideia da pasta é promover um rodízio ano a ano entre os bairros. “Escolhemos locais que já são conhecidos e têm grandes festas. Acabam sendo verdadeiros centros nos bairros. Por isso, não são só pessoas daquele bairro que vão. Bairros vizinhos também aproveitam muito a festa”, complementa Elson Reis.