08 de julho de 2026
Carnaval 2014

Beija-Flor e Salgueiro saem na frente

Por Italo Nogueira, Marco Aurélio Canônico e Pedro Soares | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

No primeiro dia de desfile das escolas do Rio, as últimas foram as primeiras: com apresentações grandiosas e tecnicamente apuradas, Beija-Flor e Salgueiro, que encerraram a festa na Sapucaí, despontaram como fortes candidatas ao título e saíram da passarela sob gritos de “é campeã”.

A Beija-Flor, vice-campeã em 2013, compensou o fraco samba-enredo com um desfile redondo em homenagem a José Bonifácio de Oliveira, o Boni, que veio à frente da bateria fantasiado de Carlitos.

A qualidade das alas e carros - como a comissão de frente com peças de xadrez vivas e beija-flores que voavam suspensos por cabos - chamou atenção.

Mas o que realmente empolgou foi o derradeiro carro, com dezenas de celebridades amigas do homenageado, como Tony Ramos, Renato Aragão, Regina Duarte, Tarcísio Meira e Glória Menezes, Pedro Bial e Marília Gabriela.

Antes, o Salgueiro mostrou um samba com refrão forte e que caiu no gosto do público, um desfile sem erros - apesar do seu gigantismo e de um princípio de incêndio em seu abre-alas - e alegorias e fantasias impecáveis.

O samba foi cantado em todos os setores da Sapucaí. Desde a comissão de frente, que retratava os orixás, a escola empolgou.

O abre-alas e o segundo carro remetiam à África para ilustrar a criação do mundo e a natureza no enredo “Gaia”, sobre a sustentabilidade. No alto de um dos carros, uma bailarina parecia levitar, graças a um efeito especial.

A outra escola tradicional e sempre bem cotada foi a Mangueira. O toque da carnavalesca Rosa Magalhães, supercampeã, mudou a verde e rosa, que ano passado amargou um 8º lugar com um enredo sobre Cuiabá.

Contando com uma torcida animada - enquanto a Beija-Flor chegou a ser vaiada no “esquenta” da bateria, quando tocou o jingle de carnaval da Rede Globo -, bastou suas primeiras alas entrarem na Sapucaí para as arquibancadas ficarem cobertas de bandeirolas com suas cores.

Com enredo sobre as festas brasileiras, a escola mostrou mais alegria, fantasias leves e bem acabadas. E a madrinha de bateria, Evelyn Bastos, mostrou que faz diferença ter uma passista de verdade e não a atriz do momento.

No fim, no entanto, a Mangueira teve problemas: um defeito em seu penúltimo carro impediu que a escultura de um índio passasse sob a marquise onde ficam fotógrafos e câmeras de TV. A estátua acabou decapitada e a demora quase fez a escola atrasar.

Antes da Mangueira, a São Clemente fez um desfile morno sobre um tema que poderia ter sido mais bem aproveitado: as favelas cariocas. A agremiação teve problemas com o abre-alas. Com isso abriu-se um grande buraco em frente aos jurados.

Com um desfile luxuoso para um enredo de pouco apelo para o público - os 200 anos de Maricá, na região dos Lagos - a Grande Rio fez uma apresentação correta mas que dificilmente a levará a seu primeiro título no carnaval.

Seus carros eram criativos e com bom acabamento. Um exemplo foi o carro abre alas, de onde um homem-bala era arremessado por um canhão e caía amparado por uma rede. Com menos recursos, a Império da Tijuca fez um desfile animado, mas pobre.


Mocidade abre o segundo dia

Mocidade Independente de Padre Miguel abre o segundo dia de desfiles do Rio de Janeiro com o enredo “Pernambucópolis”, uma homenagem ao carnavalesco Fernando Pinto e também ao Estado de Pernambuco.

O destaque da escola é a mineira Mariana Rios, rainha de bateria e que exibe ótima forma, com uma fantasia repleta de penas pretas.

Na avenida, a escola mistura de espaço sideral e Pernambuco. A junção se dá pelo fato de que Fernando era um visionário e nasceu no Estado homenageado.