Milhares de venezuelanos foram às ruas em diferentes cidades do país nesta terça-feira (4), véspera do primeiro aniversário de morte de Hugo Chávez, para se manifestar contra o governo e em homenagem às 18 pessoas que morreram em uma série de protestos iniciada no mês passado.
Em Sucre, onde governa a oposição, estudantes marcharam do parque Miranda a Petare, a maior favela da região de Caracas, contra a insegurança e a deterioração econômica do país. Outro ato de destaque ocorreu em San Cristóbal, no Estado de Táchira, perto da Colômbia.
Desde fevereiro, os motivos levantados nos protestos vão desde a inflação a mais alta da América Latina até a falta de produtos básicos. A eles se uniram líderes oposicionistas como Henrique Capriles e Leopoldo López, preso atualmente. A mulher dele, Lilian Tintori, participou dos atos desta terça.
Relatório da UCAB (Universidade Católica Andrés Bello) divulgado nesta terça afirmou que foram realizadas 331 prisões em protestos ocorridos de 12 a 28 de fevereiro. Na maioria dos casos, os juízes alegaram proibição de manifestação, algo que não está previsto na lei venezuelana.
Homenagens
Nesta terça-feira (4), o governo de Nicolás Maduro, herdeiro político de Chávez, realizou uma parada militar por Caracas e uma cerimônia no mausoléu onde estão os restos mortais do presidente, que morreu vítima de câncer.
Conforme a reportagem da Folha de S.Paulo informou na segunda, o assessor de assuntos internacionais do Planalto, Marco Aurélio Garcia, deve ir a Caracas participar dos eventos e se encontrar com representantes do governo, porém sem o intuito de exercer mediação entre os chavistas e a oposição.
Em Genebra, o chanceler venezuelano, Elías Jaua, confirmou nesta terça que o país não quer mediação internacional para a crise. "Os problemas que temos podem ser resolvidos entre os venezuelanos."