08 de julho de 2026
Geral

Restos de casas provocam queixas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Basta qualquer ruído para Dulce Aparecida Cosmo, 53 anos, entrar em desespero, a qualquer hora do dia. Moradora do Pousada da Esperança 1, em Bauru, ela ainda não se recuperou do trauma de assistir ao desabamento da própria casa, na quadra 6 da rua Joaquim Gonçalves Soriano, cujas paredes cederam à forte enxurrada provocada pelo temporal registrado há um mês. Ainda hoje mal consegue adormecer mesmo em noites de céu estrelado.

A agonia de ter sobrevivido à destruição se embaralha com a revolta de não viver mais em um imóvel que possa chamar de seu. Os escombros de sua antiga casa e das residências de outros dois vizinhos tornaram-se alvo de queixas não apenas das famílias diretamente afetadas pelo desabamento. Como o local virou ponto de encontro de usuários de drogas e terreno fértil para proliferação de doenças, as reclamações ganharam mais vozes.

Registrada e encaminhada por meio de ofício pelo vereador Natalino do Pousada (PV), a reivindicação é dirigida à Secretaria Municipal de Obras. A expectativa é que a pasta garanta a demolição das três residências, cujos restos ainda são saqueados por dependentes químicos em busca de qualquer coisa para trocar por pedras de crack. O local também concentra caixa d’água danificada e objetos capazes de acumular água, ambiente propício para a proliferação do Aedes aegypti.

Segundo o titular da pasta, Sidnei Rodrigues, a demolição só não foi feita ainda porque ele precisa dos documentos de propriedade da área para dar início ao procedimento, que também depende de avaliação social da Secretaria Municipal do Bem Estar Social (Sebes). A expectativa é que a análise social seja encaminhada o mais breve possível. Já em relação à propriedade do imóvel, apenas uma família teria providenciado o documento.

Social

“Nem todas as casas do bairro têm registro, escritura. É uma questão social”, comenta Natalino do Pousada. Ao serem transferidas do imóvel onde viviam, as famílias afetadas pela chuva passaram a receber o benefício conhecido por aluguel social (ajuda de custo por tempo indeterminado em valor que varia de R$ 400,00 a R$ 800,00). “Não quero aluguel social nem cesta básica. Quero minha casa. Sempre trabalhamos para tê-la”, diz Carlos Alberto Barbosa, marido de Dulce Cosmo.

Ele e a esposa contrataram um advogado para acionar judicialmente a administração municipal pelo prejuízo que tiveram. O imóvel em que moravam foi um presente de uma patroa de Dulce, há aproximadamente seis anos. Eles fizeram benfeitorias na casa, como acabamento.


Fora dos padrões

De acordo com a avaliação de engenheiros da Secretaria de Obras, a casa não foi construída dentro dos padrões técnicos exigidos. Por essa razão, estava mais vulnerável à força das águas. Na opinião de Barbosa, porém, o problema foi provocado por falha nas obras de pavimentação na rua de cima e por conta dos bueiros entupidos.

Ele tentará por meio da Justiça que a administração municipal construa um novo imóvel no local para ele e a esposa. Enquanto não há uma definição, a Sebes garantirá auxílio com material de construção.