Os 30 ônibus circulares depredados durante os quatro dias de Carnaval em Campinas (a 263 quilômetros de Bauru) vão afetar 35 mil usuários que dependem do transporte coletivo na cidade.
Segundo balanço divulgado pela Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc) nesta quarta-feira (5), os 30 casos deste Carnaval representam um aumento de 400% sobre o total no mesmo período do ano passado.
Os veículos avariados deixarão de circular até serem reparados pelas empresas.
Somente na noite de terça-feira (4) foram oito casos. As demais depredações foram registradas no sábado (dois veículos), domingo (seis) e segunda (14).
O prejuízo estimado, de acordo com a Transurc, é de R$ 81 mil. Hoje pela manhã, peritos da polícia vistoriaram os ônibus depredados.
Foram quebrados vidros laterais e traseiros, câmeras de segurança, luminárias internas e caixas dos cobradores, janelas, bancos e alçapões de emergência foram arrancados e estofados, rasgados.
Todos os ataques aconteceram durante a madrugada, na volta dos foliões para suas casas, e foram praticados pelos próprios passageiros. Ninguém foi detido.
Agressão
"Todo Carnaval é previsto, pela experiência que temos, que vai ter depredação. É a época mais aguda do ano", diz Paulo Barddal, diretor da Transurc. "Todo mundo sabe que os ônibus vão ser depredados, mas ninguém faz nada."
Segundo ele, na madrugada de segunda-feira (3) um fiscal foi espancado no terminal provisório construído para o Carnaval. "Vândalos queriam pular a catraca e não pagar a passagem, e o fiscal que tentou impedir tomou socos e pontapés."
Barddal disse que o funcionário foi encaminhado ao pronto-socorro e não havia segurança na estação.
Procuradas para falar sobre a alta no número de ônibus depredados e a agressão, Polícia Militar e Prefeitura de Campinas não se pronunciaram até o começo da tarde desta quarta-feira (5).
Em 13 de janeiro, um dia após a chacina que resultou na morte de 12 pessoas na região do Ouro Verde, na periferia de Campinas, ônibus também foram alvo de depredações.
Três foram incendiados e nove, depredados um terço da frota que circula na região. O prejuízo foi de R$ 450 mil, segundo a Transurc, e ninguém foi detido.