08 de julho de 2026
Nacional

Rio: garis decidem manter greve, mesmo com acordo assinado

ABr
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Após reunião que durou toda a tarde desta quarta-feira (5) com a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPE-RJ), os cerca de 250 garis que aguardavam na frente do prédio da Companhia de Limpeza Urbana, na Tijuca, decidiram manter a greve deflagrada na sexta-feira (28). O grupo marcou para quinta-feira (6) às 10h reunião no mesmo local.

Dez garis grevistas se reuniram com representantes da DPE-RJ, que fez a intermediação das negociações com a prefeitura. De acordo com Ivair Oliveira, um dos garis que participaram da reunião, 1.100 trabalhadores receberam aviso de demissão e o processo de desligamento vai continuar se a greve não for interrompida.

“Nós brigamos lá dentro por todos os que receberam o comunicado de demissão, sem exceção. Vai sair um documento oficial regulamentando isso: os que receberam o comunicado de demissão não vão ser demitidos. Essa foi a nossa prioridade, porque eu, particularmente, não iria ficar satisfeito, ainda que a gente continuasse e tudo, se 1.100 famílias ficassem sem levar o seu pão para casa”, disse Oliveira.

Ele lembrou que o sindicato já assinou acordo coletivo da categoria e que, portanto, não há mais possibilidade de “lutar por aumento salarial no momento”. “Não há o amparo jurídico, nós conversamos com o defensor público, o defensor público viu, a gente viu, os advogados nossos estavam lá, não há amparo jurídico para a gente fazer essa negociação sem o sindicato, só que o sindicato já fez a besteira. Agora a gente vai decidir a categoria. Gari é que tem que decidir a situação de gari”.

O gari Samuel Teles, que estava na manifestação, acusou a Comlurb de perseguição aos grevistas. “Segundo a empresa, já estamos demitidos. Não só eu, como vários garis que estão sendo mandados embora sem nenhum tipo de justificativa, via texto, um texto até mal elaborado”. Ele mostrou a mensagem de texto recebida por vários trabalhadores, que diz: “Comlurb informa: compareça a [sic] sua gerência para tratar do seu desligamento”.

Tomaz Silva/Agência Brasil

A Comlurb demitiu garis via mensagens de texto enviadas a celulares

De acordo com os manifestantes, cerca de 60% da categoria parou, de um total de 15 mil funcionários. O policiamento no local estava reforçado pela Tropa de Choque da Polícia Militar, mas não houve confronto. Durante a tarde, garis e policiais pararam para acompanhar a apuração do desfile das escolas de samba do Grupo Especial pela televisão da padaria em frente a Comlurb.

Segundo a prefeitura, o acordo coletivo foi assinado na segunda-feira (3) com o Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio de Janeiro. O acordo garantiu aumento de 9% para o piso salarial, o que eleva a remuneração para R$ 1.224 incluindo os 40% de adicional de insalubridade. O acordo também prevê 1,68% de aumento dentro do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, com progressão horizontal, hora extra de 100% para trabalho aos domingos e feriados, além da folga, plano odontológico, auxílio-creche para ambos os sexos, aumento do seguro de vida para R$ 10 mil, reajuste do vale-alimentação de R$ 12 para R$ 16 por dia, e participação no acordo de resultados.

Prefeito diz que suspenderá demissões se garis voltarem ao trabalho

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou, na noite desta quarta-feira (5), que suspenderá as cerca de 300 demissões de garis se os trabalhadores voltarem ao trabalho nesta quinta-feira (6). A decisão foi tomada após um apelo do defensor público geral do estado, Nilson Bruno Filho, que se reuniu à tarde com representantes dos garis e, à noite, com o prefeito. As demissões foram anunciadas ontem (4). Paes informou também que amanhã (6) todos os 300 caminhões da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) vão trabalhar escoltados por equipes de segurança privada.

“Todos os garis que se apresentarem, nós vamos cancelar as demissões e depois eles vão compensar os dias parados. Todos, inclusive as lideranças. Não vai haver retaliações”, afirmou Paes, em entrevista coletiva na sede da prefeitura, ao lado do defensor público e do presidente da Comlurb, Vinícius Roriz.

Paes considerou estranho que um grupo de funcionários tenha condições de se organizar e chegou a sugerir que havia algum tipo de interesse político por trás do movimento. O prefeito reconheceu que as cenas com "montanhas de lixo" nas ruas não foram boas para a imagem da cidade, principalmente em um período de alta temporada turística.\

Ele ressaltou que já concedeu 50% de ganhos reais aos garis, desde o início de sua gestão, e disse que, se pudesse, concederia maiores ganhos salariais à categoria.