Afolia acabou. Dela só restou um mal estar conhecido por ressaca. Muita comida, muita bebida e muito esforço físico para curtir o Carnaval fizeram com que muitas pessoas encarassem a quarta-feira de Cinzas como quem levou uma bela de uma surra.
Os sintomas indicam que é hora de se refazer para enfrentar o ano. O caminho é a desintoxicação, indica a nutricionista Eliane Petean Arena.
Segundo ela, para combater os excessos o melhor é apostar na alimentação rica em frutas, chás, verduras e sopas leves. “É importante ingerir alimentos desintoxicantes que ajudam a eliminar os resíduos do organismo e melhoram o humor”.
Um energético natural feito com suco de laranja, folhas de hortelã e gengibre ajuda a queimar os excessos cometidos durante o período carnavalesco, diz a nutricionista. “A hortelã é muito digestiva e deve ser usada em grande quantidade”, orienta.
Para os intervalos entre as refeições, especialmente no lanche matinal e da tarde, a indicação são os chás.
“Os chás ajudam a eliminar as toxinas – o preto, o verde e o banchá. Eles não são indicados para quem tem labirintite porque podem provocar um aumento no zumbido do ouvido. As pessoas hipertensas e que têm insônia não devem ingerir os chás. No período noturno, eles podem tirar o sono”.
Para esse grupo, Arena orienta a substituição dos chás pelos sucos. “O suco de limão com couve e hortelã pode ser uma ótima opção. As frutas são outra. A laranja, o limão, a acerola, o abacaxi e a uva – um ótimo antioxidante – são alternativas que os foliões não podem abrir mão. O maracujá ajuda a diminuir o ritmo do Carnaval que foi muito intenso, ele acalma”.
Salada
Para o almoço, muita salada é o mais adequado. “Usar muita verdura em saladas; brócolis, espinafre, rúcula, agrião são ótimos para acelerar o metabolismo, para eliminar as toxinas que deixam a pessoa cansada, irritada. Uma bela salada com um pedaço de carne branca, ovo ou queijo fresco no almoço é indicada”.
Para o jantar, a nutricionista recomenda tomar sopa, até porque o tempo está propício. “Uma sopa leve que dê energia e que não fermente tanto como as bebidas e as águas gaseificadas. Com índice glicêmico baixo que vá liberando energia conforme a pessoa necessite. Eu indico a sopa de mandioca com cenoura e alguma folha ou a mandioquinha com beterraba com alguma folha”, ensina.
A dieta deve ser adotada por três dias para proporcionar uma boa desintoxicada no organismo. “Eliminando as impurezas do seu organismo, você terá mais disposição e energia para recomeçar as atividades”.
‘Não tem como isolar os abusos do resto da vida’
O período carnavalesco é marcado por excessos. Muito alimento, álcool, sexo e drogas. Mas quando acaba o Carnaval, a “ficha cai” e muitas pessoas ficam com o sabor do arrependimento, da culpa.
Como não tem como apagar os quatro dias de folia da história pessoal, o jeito é encarar e questionar o próprio comportamento a fim de descobrir aquilo que motivou os abusos.
A psicoterapeuta Andreia Georges defende o questionamento. “A primeira coisa que a pessoa tem que fazer é questionar qual o motivo dos excessos. Tem que considerá-los, sim. Não tem como deixar fora da sua história pessoal o período de Carnaval. A vida é um ciclo, tudo está ligado e não tem como isolar os abusos do resto da vida, do trabalho, do dia seguinte”.
Reflexão
Para ela, a pessoa que excedeu tem que pensar qual a necessidade que ela sentiu para extrapolar a consciência ao ponto de ter consequências tão negativas. Questionar se não é possível encontrar um caminho de se divertir da forma que ela achar importante sem se agredir física e moralmente.
“Depois disso, a pessoa tem que aceitar que cometeu excessos e procurar caminhos onde possa se organizar com as consequências”.
Na opinião dela, a pessoa tem que pensar por que precisa de muito. “É falsa a ideia de que o muito, o excesso vai trazer também muito prazer. Eu acho que alimentação, bebida e sexo em equilíbrio trazem a mesma sensação de prazer. Não precisa dos abusos”.
Ela acha que no período carnavalesco há um sinal verde para os excessos. “Parece que nesse período há uma aprovação social. Como se culturalmente o Carnaval fosse o momento que você pode cometer todos os abusos sem ser repreendido, sem ser julgado”, conclui.