O Parlamento da Crimeia aprovou ontem uma proposta para fazer parte da Rússia e convocou um referendo para a população ratificar ou não a decisão.
Como a maioria local é de origem russa, espera-se que a votação, marcada para o dia 16 deste mês, confirme a anexação da península.
Um pedido oficial já foi feito à Moscou para que aceite o território. A expectativa na Crimeia é que o governo russo diga “sim” até o começo da próxima semana.
A manobra política dos membros do Parlamento foi feita a portas fechadas em Simferopol, capital da Crimeia, que oficialmente pertence à Ucrânia.
Do lado de fora, militantes locais pró-Moscou celebraram aos gritos de “Rússia, Rússia”.
Os Estados Unidos e países do bloco europeu atacaram o referendo, que tem tudo para beneficiar o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
A Crimeia, embora ligada oficialmente a Kiev, é uma república autônoma com Parlamento próprio. Políticos pró-Rússia tomaram o poder da região e instalaram um governo provisório em protesto contra a derrubada de Yanucovich, aliado de Putin.
Putin
Provavelmente orquestrada pelo presidente russo, Vladimir Putin, a petição da Crimeia para se juntar à Rússia deixa-o diretamente em oposição ao Ocidente, em um impasse que tem cada vez mais coisas em jogo e consequências imprevisíveis.
Sanções da UE
A União Europeia (UE) decidiu ontem suas primeiras medidas para abreviar a crise na Ucrânia por via dupla: impondo as primeiras sanções a Moscou com a suspensão das negociações para liberar vistos e garantindo a Kiev ajudas econômicas e um acordo político.
Os chefes de Estado e do governo da UE realizaram ontem em Bruxelas uma cúpula extraordinária dedicada a buscar uma solução pacífica para o conflito.
Os líderes da UE sublinharam seu “firme” apoio ao governo do primeiro-ministro interino, Arseni Yatseniuk, que participou das discussões do Conselho Europeu. Eles também respaldaram por unanimidade o pacote de ajudas financeiras à Ucrânia no valor de pelo menos 11 bilhões de euros proposto pela Comissão Europeia a cargo do orçamento comunitário e das instituições financeiras intenacionais na União.
Obama pede conciliação a Putin
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu ontem ao presidente russo, Vladimir Putin, para aceitar os termos de uma solução diplomática para a crise na Ucrânia, em um telefonema que durou uma hora.
Na segunda conversa deles por telefone em seis dias, Obama enfatizou a Putin que a incursão russa na Ucrânia era uma violação da soberania ucraniana e da integridade territorial do país, de acordo com a Casa Branca.
Durante a ligação, Obama delineou os termos de uma “saída” diplomática que as autoridades norte-americanas estão promovendo. Os termos do acordo preveem que a Rússia recue as tropas para suas bases na Crimeia, permita que monitores internacionais acessem a região para garantir que os direitos dos russos sejam respeitados e consinta conversas diretas com autoridades da Ucrânia.
Antes, Obama, havia dito que uma proposta de referendo na Crimeia para que a península ucraniana se junte à Rússia viola o direito internacional e afirmou que as sanções norte-americanas têm objetivo de fazer a Rússia pagar o custo pela intervenção na Ucrânia.