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Chegada das chuvas preocupa e mosquito Aedes aegypti pode aparecer |
Aépoca das chuvas, que até virou nome da música “Águas de Março” de Tom Jobim e Elis Regina, praticamente nem começou neste ano. Com pouca água vinda do céu, cidades como Agudos (13 quilômetros de Bauru), Botucatu (100 quilômetros de Bauru) e Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), não registraram caso de dengue, enquanto Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) soma três confirmações. Já Jaú o número explodiu mesmo com a estiagem: 522 casos positivos, quase equiparando 2013, com 568 confirmações. A cidade destoa das demais da região e é um mistério essa alta incidência.
Segundo o professor de infectologia da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, Carlos Magno Fortaleza, a estiagem atípica deste início de ano contribuiu para que os ovos do mosquito Aedes aegypti não eclodissem e a doença não se proliferasse tão rapidamente. Isso não significa que não haverá casos da doença nesses municípios que não tiveram confirmação de doentes, até porque ainda se espera que a chuva apareça neste mês. E o ciclo da chuva pode provocar a proliferação do mosquito.
Cada cidade combate o mosquito como pode: algumas com ações que se estendem durante o ano todo e com “brigada” de mais de 100 agentes comunitários e de controle de endemias. Mas um ponto muito importante, mais do que a atenção e desdobramento do Poder Público, é a ajuda da população como um todo. Parece simples, mas muito material inservível serve de abrigo das larvas do mosquito e é encontrada por mutirões realizados nas cidades da região.
Infecciosa
A dengue é uma doença infecciosa aguda de curta duração, que acomete somente o ser humano, de gravidade variável, causada pelo vírus da dengue transmitido do gênero Aedes aegypti. A transmissão segue o seguinte ciclo: o mosquito transmissor do vírus pica a pessoa infectada e em seguida, através de uma nova picada, transfere o vírus para outra pessoa.
Os sintomas da doença são: febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares, dores nas juntas, prostração e manchas vermelhas pelo corpo. Assim que aparecem os primeiros sintomas, é indicado procurar um médico e realizar a sorologia no sexto dia para ter um resultado fidedigno.
Um quadro de dengue comum pode evoluir para o tipo hemorrágica, que pode levar à morte. Por isso, seguir as orientações médicas é muito importante.
Volta da chuva pode aumentar casos
As cidades de Agudos, Botucatu e Pederneiras continuam atentas mesmo sem casos da doença. Cada uma delas continua com ações para evitar a disseminação da doença, mesmo sem perigo a vista. O professor de infectologia da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, Carlos Magno Fortaleza, alerta: a chuva pode eclodir ovos que já foram depositados.
“Este ano, muito provavelmente por conta do tempo seco, não favoreceu a eclosão dos ovos de Aedes. Isso certamente dá uma retardada na disseminação da doença”, explicou o especialista. Ou seja, se chover, pode haver a eclosão de ovos já depositados, a larva se tornar mosquito e o número de casos começar a aparecer.
O professor esclarece que o Aedes aegypti é um mosquito que gosta de água limpa e que “quase tudo que suja água, se não impede ele de se reproduzir, diminui”. Portanto, as antigas dicas de colocar borra de café e areia nas plantas, e sabão em pó e água sanitária em ralos e vasos sanitários, fazem sentido.
“Certamente diminuem um pouco, mas não impedem completamente o mosquito de se reproduzir. Nenhum é um remédio básico, são todos produtos que vão diminuir a reprodução do mosquito”, diz.
Para o especialista, o importante é eliminar os reservatórios. “Isso é um desafio importante do nosso estilo de vida, da urbanização. Nós temos que resolver todos os problemas dos domicílios, ferros velhos, cemitérios. Os desafios se multiplicam pelo modo como nos comportamos com essa questão de reter água”, opinou.
Diferente do que muitos pensam, os rios e cachoeiras não favorecem a proliferação da dengue. Fortaleza explica que a água corrente não é favorável para a reprodução do mosquito. Uma área urbana densa favorece bastante porque há acúmulo maior de reservatórios em um espaço menor.
Pederneiras recolhe os pneus
A supervisora de combate ao vetor em Pederneiras, Cleusa Angélica da Silva, aponta que o trabalho contra o Aedes aegypti é feito o ano todo por uma equipe de bloqueio de criadouros em regiões (eliminando larvas e orientando a população) e a que vai em pontos estratégicos como, por exemplo, depósitos, borracharias, entre outros. A cidade conta até com um ecoponto específico para pneus. “Além disso, tem sempre um caminhão da prefeitura que passa nas regiões todos os dias recolhendo materiais inservíveis maiores como, por exemplo, guarda-roupa, sofá. Temos também um ecoponto específico para pneus, que funciona no canil municipal”, disse. O descarte de pneus pode ser feito quarta-feira, das 8h às 17h, sem limite de unidades.
Agudos faz ações pontuais
Agudos é um dos municípios da região que não teve casos de dengue neste ano. No entanto, o município não deixa de deflagrar ações pontuais, como os mutirões. No dia 15 a cidade já teve mutirão contra a doença e durante semana, mais três bairros foram trabalhados.
A equipe do setor de controle de vetores da Secretaria de Saúde de Agudos intensificou as ações de combate a dengue no Jardim São Vicente I e II. Os trabalhos para eliminar os criadouros do mosquito transmissor da doença continuam em andamento na Vila Professor Simões.
“A população ajuda muito, costumo dizer que o munícipe é o nosso grande parceiro” disse Alexsandre Francisco da Silva, da Secretaria de Saúde de Agudos.
Lençóis faz trabalho ano todo
Na cidade de Lençóis Paulista, o trabalho é ininterrupto, ou seja, durante o ano todo, informou Roberto Aparecido Godoy, encarregado de Vigilância Epidemiológica. “Nós consideramos o nosso trabalho aqui contínuo, ininterrupto. Só assim, conseguimos uma cobertura 100%. Então dividimos o trabalho estrategicamente em saúde da família e em agentes comunitários de saúde. Praticamente cada bairro tem sua quantidade de agentes comunitários. Pelo menos uma vez por mês eles passam nas residências. Atualmente temos 115 agentes e, para nós, fica mais viável desta forma”.
O trabalho é conjunto, envolvendo as imobiliárias - que cedem as chaves de imóveis fechados -, as pastas de Trânsito (carros abandonados), Engenharia na recuperação de vias com buracos, e Meio Ambiente, com a ação em terrenos mal cuidados. Neste sábado haverá panfletagem para toda a população no comércio central, como uma forma de prevenir a doença. “Agendamos a retirada de sofá, geladeira, sofá velhos, menos galhos de árvore e material de construção. Toda terça, quarta e quinta-feira tem esse trabalho, o ano todo”, finalizou Godoy.
Jaú: 522 casos em 3 meses neste ano
Em Jaú, a história já é diferente das outras cidades da região de Bauru. O município enfrenta uma verdadeira guerra contra o mosquito Aedes aegypti. Em apenas três meses, a cidade contabiliza 522 casos da doença, quase chegando ao registro do ano passado, que teve 568 confirmações. A estiagem pouco ajudou a reduzir a proliferação.
O secretário municipal de Saúde, Gilson Augusto Scatimburgo, montou uma verdadeira força-tarefa na cidade, para impedir que a patologia tome proporções ainda maiores. O motivo de tantos casos ainda é um mistério.
“O que a gente percebe é que em 2012, tivemos apenas três casos positivos. Talvez isso tenha contribuído para que as pessoas tenham ‘relaxado’ com relação a isso. Já no ano passado foram 598 positivos. Hoje o nosso número de casos positivos ainda é menor, mas temos 204 pacientes esperando resultado da sorologia. Com certeza esse número passará o do ano passado”, lamentou o secretário.
Para controlar a situação, a Saúde preparou um verdadeiro “exército” de agente, sendo 112 comunitários (visitam as casas) e 28 de controle de endemias (aplicam inseticida e larvicida).
Este ano já foram feitas nebulizações em 2.500 imóveis, além da coleta de material inservível e até capinação em terrenos. “A medida que o mato foi cortado, era impressionante a quantidade de sacos plásticos que foram encontrados com água,” lembrou o secretário.
Reforço
Para suprir uma demanda tão grande de pacientes, as unidades de saúde do município foram adaptadas. O prédio central, que fica junto à Secretaria Municipal de Saúde, foi adaptado para atender somente casos de dengue, com até quatro médicos (quando necessário) e laboratório contratado, para a realização de exames preliminares de plaquetas e leucócitos, em casos graves.
A Policlínica Pedro Ometto, localizada no bairro de mesmo nome, também atende casos específicos da patologia depois das 17h.