10 de julho de 2026
Geral

Entrevista da semana: Denise Cristina de Oliveira (Denise Amaral)

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

A carreira de cantora começou por acaso, substituindo a vocalista de uma banda onde ela era coreógrafa. Foi assim que Denise Cristina de Oliveira, a Denise Amaral, soltou a voz pela primeira vez, há mais de 20 anos, e não parou mais de encantar o público com o timbre marcante e a sua alegria contagiante. 

 

Quem é da noite e gosta de boa música pode se deparar com Denise cantando em bares da cidade e região ao lado de artistas como Norberto Motta e Roger Pereira, com quem faz duos e canta os clássicos da MPB. “São músicas que aquecem e enriquecem o coração da gente”, define. 

 

A parceria se estende para outros artistas bauruenses e bandas, assim como o Clube do Jazz, onde é integrante há cinco anos ao lado de músicos como Ralinho, Roger Pereira, Lilo Zuim, Caio Santos e o saxofonista Derico, músico do Programa do Jô, da Rede Globo. “Temos muitos projetos novos, entre eles, um novo disco que já está em estúdio”.

 

Carnaval é outra paixão da entrevistada de hoje, que já foi rainha do Carnaval de Bauru pela Mocidade Independente. Este ano, Denise foi porta estandarte do bloco campeão: “Pé de Varsa”. Atualmente, ela anima a folia nos palcos e clubes da cidade. 

 

Longe do microfone, Denise é uma mãe e dona de casa dedicada. “Tenho uma filha prestes a completar 11 anos de idade. Ela é o meu principal foco. Quero criá-la para o bem. Depois vem a minha família, meus amigos... Não seria ninguém sem eles”, confessa. 

 

Leia estas e outras das principais passagens pessoais e profissionais de Denise, a seguir. 

 

Jornal da Cidade – Quando você subiu ao palco pela primeira vez em nome da música?

Denise Cristina de Oliveira – Na verdade, eu sempre gostei de palco, tanto que eu sou professora de educação física. Eu sempre fiz balé, ou seja, o palco sempre me chamou a atenção. Quando eu tinha uns 25 anos de idade, eu virei coreógrafa de uma banda de baile, a bauruense “Alta Classe”, do Décio Martins, um grande baterista. Bom, um dia, a cantora saiu da banda e a moçada sugeriu que fosse feito um teste comigo, porque eles me ouviam cantar e me achavam afinadinha. Fiz o teste e, na semana seguinte, virei a cantora oficial da banda. Nunca imaginei que pudesse seguir esse caminho. Nunca havia passado pela minha cabeça a possibilidade de eu ser cantora (risos). 

 

JC – E não parou mais de cantar…

Denise – Não. E uma coisa leva a outras. Eu cantei nessa banda por um bom tempo, depois passei a cantar em outra bem bacana de Ibitinga, a “Pedras Românticas”, que tinha o Manito dos Incríveis, um saxofonista maravilhoso, entre outros músicos feras. E comecei a fazer barzinho com o Neto, meu ex-marido. Trabalhei durante muito tempo com ele, um grande parceiro meu.    

 

JC – Quem são os seus parceiros atuais? 

Denise – Eu continuo fazendo muito barzinho. Faço bastante duo com Norberto Motta, Roger Pereira... E tem o Clube do Jazz, com o baterista e líder Ralinho, o Roger Pereira no piano, o Lilo Zuim no contrabaixo, o Caio Santos no trombone e muitas participações do saxofonista Derico, o músico do Programa do Jô, da Rede Globo. Estou com o grupo há cinco anos, como o tempo passa rápido (risos).  

 

JC – Quais são os seus ritmos preferidos para soltar a voz?

Denise – Eu gosto de cantar música boa. Eu tenho um grupo de chorinho, samba... Coisa linda. Adoro samba! Faço MPB, muito Tom Jobim, Djavan, João Gilberto… São músicas clássicas brasileiras que aquecem e enriquecem o coração da gente.  

 

JC – Seus olhos brilham quando fala de música.

Denise – Ai, a música é a minha vida. É lindo poder transmitir alguma coisa para as outras pessoas através da música. Seja um sentimento de alegria ou de reflexão, paixão... A minha intenção, o que é muita pretensão, confesso, é modificar o sentimento de quem está ali ouvindo. Eu quero atingir o público com a música, mesmo que um ouvinte apenas. Quero que a pessoa saia do ambiente alegre, pensativa...

 

JC – E isso tem dado certo?

Denise – O tempo todo. Por isso meus olhos brilham tanto. Já cantei em casamentos e, depois de muito tempo, os casais chegaram até mim, na noite, para apresentar os filhos, por exemplo. Isso sempre acontece. São muitas histórias, mas acima de tudo eu procuro enaltecer as coisas boas e belas da música brasileira. Acho que não devemos dar muita atenção e colocar brilho na má qualidade da música, mas sim louvar a boa qualidade musical que há. 

 

 

JC – A música é herança de família?

Denise – A minha família é muito musical. Não são músicos, mas sempre curtimos e dançamos muito. Venho de uma família de seis irmãos, e de várias idades, então cada um com um gosto musical diferente, uma mistura de ritmos e estilos muito rica. Família para mim é tudo.

 

JC – Por falar em família, o que deu o tom para a sua infância?  

Denise – Eu nasci, fui criada e ainda moro na região da Vila Falcão. Quando penso sobre isso, lembro-me da minha escola, da forma carinhosa das crianças com os amigos, com a Pátria... Brincávamos nas ruas, e ainda tenho amigos daquela época.  

 

JC – Você tem algum ritual antes de cantar?

Denise – Não. Meu ritual é a alegria e fazer o meu melhor. É pensar que tudo vai dar certo. O que eu guardo mesmo no coração são as parcerias musicais. Tenho muitos amigos músicos. Para realizar um trabalho, a gente sobe em um palco juntos e um depende do outro. Isso cria uma ligação muito forte. 

 

JC – O Carnaval também é ritmo que embala o seu coração.

Denise – Sim. Este ano fui campeã com o bloco “Pé de Varsa”. Fui porta estandarte. Antes de cantar, eu participei muito do Carnaval bauruense. Já fui rainha do Carnaval de Bauru, pela Mocidade Independente, uma escola muito legal. Depois que passei a cantar, comecei a cantar também no Carnaval. E trabalho até hoje na folia. E como há dois anos estou fazendo o Carnaval da Prefeitura de Bauru, estou tendo mais tempo para conciliar o trabalho com a festa e, com isso, consigo desfilar.   

 

JC – Quem é a Denise fora dos palcos? 

Denise – Em primeiro lugar vem a minha filha. Sou dona de casa, cuido das coisas dela com o maior carinho do mundo. Ela é o meu principal foco. Quero criá-la para o bem. Depois vem a minha família, meus amigos... Não seria ninguém sem eles. Atualmente eu não estou exercendo a profissão de professora, mas passei em um concurso público e estou esperando ser chamada. 

 

JC – Dá para viver de música no Interior?

Denise – Não é fácil. É preciso muito amor pela música e trabalhar bastante. Geralmente eu faço apresentações aos finais de semana, mas trabalho a semana toda, com ensaios daqui e dali (risos).  

 

JC – Uma curiosidade sobre você.

Denise – Não parece, mas sou muito tímida com a imprensa. Eu fico muito envergonhada quando preciso falar com jornalistas, como agora (risos). A gente trabalha com o Derico e sempre precisamos dar entrevistas para jornais, TV e rádios das cidades por onde passamos. Eu sempre morro de vergonha ao falar, fico muito insegura. Mas é muito bacana. 

 

JC – Projetos novos?

Denise – Temos vários projetos. O Clube do Jazz está em estúdio gravando um novo trabalho. Eu fiz algumas participações em outros trabalhos, mas posso dizer que este é o meu primeiro disco. Anualmente eu participo do show “Nós Mulheres”, uma festa beneficente onde várias cantoras e instrumentistas de Bauru se reúnem em prol da Pessoa com Aids de Bauru (Sapab). Eu estou sempre disposta a ajudar. Chamam e eu vou mesmo. Acho que você deve ajudar com o que sabe fazer. 

 

JC – Uma canção preferida?

Denise – Há muitas canções que mexem comigo, entre elas, “Canções e Momentos”, do Milton Nascimento. Vou cantá-la na edição 2014 do “Nós Mulheres”. Diz assim: “Há canções e há momentos, eu não sei como explicar, em que a voz é um instrumento que eu não posso controlar. Ela vai ao infinito, ela amarra todos nós, e é um só sentimento, na plateia e na voz. Há canções e há momentos, em que a voz vem da raiz, eu não sei se quando triste ou se quando sou feliz. Eu só sei que há momentos, que se casa com canção, de fazer tal casamento, vive a minha profissão”.