09 de julho de 2026
Geral

Trabalhadoras recebem ?kit de beleza? no Dia da Mulheres

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr

Gerson Alves Pinheiro entrega o ‘kit de beleza’ a Greice Garcia dos Anjos

Acostumadas a conviver em meio aos resíduos da construção civil coletados pelas caçambas, sete mulheres que atuam separando os materiais na Área de Triagem e Transbordo (ATT) Água Comprida, no Jardim Marambá, tiveram um Dia Internacional da Mulher de “luxo”. Registradas há pouco mais de dois meses com uma média salarial de R$ 1,8 mil, as trabalhadoras foram contempladas com kits de beleza entregues pela Associação dos Transportadores de Entulhos e Agregados de Bauru (Asten).

 

O presidente da entidade, Gerson Luiz Alves Pinheiro, explica que essas mulheres sempre atuaram informalmente na coleta e venda de lixo e materiais recicláveis. No dia 16 de dezembro, elas foram contratadas por meio de projeto de inclusão social da Asten para trabalhar na ATT, que passou a funcionar no mesmo mês. 

 

“O principal passo é fazer com que elas deixem de ser um problema social para serem um cidadão participante dessa sociedade”, afirma. “Hoje elas estão trabalhando, recebendo dignamente os seus salários e sustentando as suas famílias sem estar devendo obrigação para ninguém”.

 

O salário das mulheres, com idades entre 23 e 60 anos, varia de R$ 1,7 mil a R$ 1,9 mil. “Elas têm o trabalho de fazer essa separação dos resíduos de construção para a gente mandar para o destino correto”, declara. “Eu acho que é uma contribuição muito grande para a nossa cidade”.

 

‘Kit de beleza’

 

No “kit de beleza” entregue às trabalhadoras, havia maquiagem completa, incluindo o tradicional batom, creme para as mãos, creme de tratamento para os cabelos e esmalte, uma surpresa mais que especial para quem, apesar de trabalhar com o lixo, não deixa de lado a preocupação com a beleza. Karina Bertaglia dos Anjos, 23 anos, era a mais nova entre as homenageadas. Apesar da timidez, ela contou que adorou o presente.

 

A prima dela, Greice Garcia dos Anjos, 34 anos, conta que o registro em carteira mudou a sua vida. Com o salário, ela sustenta os cinco filhos. “Eu fiquei seis meses sem trabalhar com registro e depois fui trabalhar no bolsão (de entulho), mas não era registrada. Aí me chamaram para trabalhar aqui e, para mim, foi ótimo”, diz. “A gente se sente mais mulher e mais valorizada”.

 

A mais “experiente” da turma é Neide Garcia, 60 anos, tia de Greice. Ela mora sozinha e nunca havia trabalhado com registro em carteira. “Eu sempre trabalhei de boia-fria”, revela. “É bom saber que a gente tem salário no final do mês, principalmente eu, que sou sozinha”.

 

A Asten

 

A Asten é entidade sem fins lucrativos dedicada à coleta, transporte e descarte de entulhos e agregados da construção civil. Entre as funções sociais dela está o apoio a inclusão social e a emancipação econômica de catadores de matérias reutilizáveis e recicláveis, principalmente no setor da construção civil.

 

Atualmente, a associação possui 16 funcionários trabalhando na ATT Água Comprida, com previsão de contratação de mais dez. “Estamos em fase de contratação de mais cinco que já apresentaram documentação”, conta Mário Kanabara Filho, secretário executivo da associação.

 

Na área onde funciona a ATT, havia uma erosão com aproximadamente 15 metros de profundidade, que está sendo aterrada e nivelada com os resíduos da construção civil coletados pelas caçambas. Quando o processo erosivo estiver controlado, o local irá abrigar uma praça esportiva.

 

No processo de triagem, são separados outros tipos de materiais. “Parte deles, como papel, papelão, plástico e o metal, vai para reciclagem”, explica o secretário. “O isopor vai para uma cooperativa e a madeira é entregue a uma serraria. Ela é triturada e vai para os fornos da região”.

 

Materiais como lâmpadas, gesso, lã de vidro e amianto são destinados à empresa especializada, que faz a destinação correta. “A importância desse trabalho é fazer a inclusão social”, complementa Gerson Pinheiro.