O Jornal da Cidade prima pela diversidade de opiniões. Esse um dos pontos cruciais de sua credibilidade junto a uma legião de fiéis leitores. Percebe-se isso nos mínimos detalhes. Um dos assuntos onde vejo isso ocorrer nitidamente é no que tange ao momento atual vivido pela Corte Suprema do país, o STF ? Supremo Tribunal Federal. Ali, como em todos os demais segmentos da Nação um cadinho de tudo o que vivenciamos aqui nos degraus de baixo. Temos ministros para todos os gostos, sabores e paladares. Impossível hoje querer aprisioná-lo a uma só corrente de pensamento e ação. Ótimo isso, reflete bem o quanto somos uma sociedade pluralista, ainda em formação e cheias de influências, inclusive no momento de nossas mais sérias decisões. E não poderia ser diferente quando no foco das atenções os votos dos ministros do STF.
O tribunal também está em mutação. Uma decisão antes tomada pode muito bem ser revista. Nada melhor do que isso ocorrer no curso de um processo e ser efetivado sem tacanhez, imprecisão e inflexibilidade. A isso dou o nome de oxigenação, algo tão necessário em todos os poderes de uma verdadeira República. Primeiro vimos uma ação intempestiva desse tribunal julgando como num verdadeiro massacre, seguindo orientação advinda de setores dos mais conservadores do país, encarcerando políticos no que foi denominado de "mensalão", sem o ser de fato. Uma abominação denominativa e logo usada por todos, sem uma reflexão aprofundada do seu real significado. O tribunal foi inquisidor com uns e "maneiro" demais com outros. Repetiu o mesmo discurso de uma parcela da população interessada na destruição somente de uma sigla política, a do PT. Isso está mais do que claro. Evidente não estarmos diante do maior ato de corrupção da nação, nem seus autores os piores.
Hoje, com a revisão de alguns votos, uma decisão mais sensata, baseada no que o princípio jurídico possui de mais altaneiro, somente a Justiça, nada mais que isso. Perseguições de classe sempre existirão nesse país, a classe dominante sempre o fará em cima de alguns mais ousados que se aventurarem contra seus interesses. Crimes existiram, ocorrendo também um evidente e desmedido aumento de sua proporção, amplitude perigosa, tanto de penas, como no fato que abrirem brechas para atos insanos, de pura perseguição. Restabelecida a normalidade com as penas sendo sabiamente revistas, uma real possibilidade de entendimento de que nem tudo está devidamente perdido. Só isso, nada mais. Excessos não são bons em nenhum momento e eles eram evidentes.
E onde nosso JC entra na história. Justamente na publicação da defesa de um lado e do outro. Existindo uma só opinião, um só lado, o prenúncio de que algo anda fora dos trilhos. Quando leio textos como o de Zarcillo Barbosa, publicado em 02/03, e no mesmo dia um de Luís Nassif demonstrando exatamente o contrário, primeiro louvo a atitude do jornal. Na edição de 11/03, o mesmo se repete, Ivan Garcia Goffi retrata no Opinião uma coisa e Nassif na parte interna outra. Sempre, em todos os momentos, para melhor entendimento de tudo se faz necessário uma comparação, algo feito de forma desarmada, desabrida de interesses, para se chegar ao melhor caminho. Se o JC nos propicia isso, salutar a continuidade desse debate. É o que proponho. Ninguém nesse conflitante momento possui (ou deve possuir) opinião a encerrar definitivamente o assunto. Goffi pensa de um jeito, eu exatamente o contrário. Da leitura de ambas as opiniões, talvez um melhor entendimento e esclarecimento sobre os julgamentos do STF. Vejo que é isso o que o JC instiga e "vou na valsa".
O autor, Henrique Perazzi de Aquino, é jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com