A pesquisa parece ser realmente a principal arma do consumidor. Um levantamento divulgado nesta terça-feira (11) pela Fundação Procon-SP mostrou que, de uma farmácia bauruense à outra, os genéricos podem ter uma variação de preço de incríveis 759%. Já os medicamentos de marca chegam a oscilar até 118%.
O levantamento foi realizada em 11 municípios paulistas entre os dias 2 e 14 do mês passado. Em Bauru, oito farmácias e drogarias participaram do estudo de preços. Foram analisados 58 medicamentos em cada um dos estabelecimentos, sendo 29 de marca e 29 genéricos.
Após a análise feita pessoalmente em cada um dos locais, a maior diferença de preço nos genéricos foi da Nimesulida. Enquanto a caixa com 12 comprimidos do anti-inflamatório foi comprada em um estabelecimento por R$ 1,78, ela pode ser encontrada em outro por R$ 15,30.
O segundo genérico que mais apresentou diferença foi o Losartana. A caixa com 30 comprimidos do medicamento de hipertensão varia entre R$ 3,35 e R$ 24,94, ou seja, 644%.
“Foi constatada uma variação bastante grande. O que ocorre é que, na pesquisa, comparamos os genéricos de diferentes laboratórios. Por isso, ocorre essa variação tão grande de um genérico para o outro”, explica a coordenadora do Núcleo Regional da Fundação Procon em Bauru, Valéria Cunha.
Já em relação aos remédios de marca (chamados de referência), a maior diferença foi no creme dermatológico Dexason. O medicamento, que pode ser encontrado por R$ 4,00, chega a custar mais que o dobro em outros estabelecimentos: R$ 8,72.
Em segundo lugar no top dos “vilões”, o remédio de marca que mais tem oscilação no valor em que é vendido é o Aerolin. O spray, que é usado para bronquite e asma, tem o preço variando entre R$ 3,60 e R$ 7,45 de uma farmácia à outra, uma diferença de 106%.
De acordo com a coordenadora do Procon em Bauru, Valéria Cunha, o levantamento só comprova o que o órgão de defesa do consumidor sempre recomenda: a importância de pesquisar os preços. “É esse o nosso intuito com pesquisas desse tipo. Mostra que o consumidor pode encontrar o mesmo produto mais barato”.
Ela ainda reforça que, em relação especificamente aos medicamentos, existe um tabelamento do valor máximo que pode ser cobrado nas farmácias.
Genéricos saem, em média, 51% mais baratos
A pesquisa divulgada nesta terça-feira (11) mostrou ainda que, comparando os preços médios dos medicamentos genéricos com os de referência, os primeiros saem pela metade do valor. “Os medicamentos genéricos são 51,56% mais baratos que os de referência, o que pode representar uma grande economia para o consumidor”, aponta o Procon, no texto do relatório da pesquisa.
Além de levantar os preços e servir de guia para o consumidor, a fundação dá outras dicas importantes. Uma delas é sempre, antes de comprar, verificar o prazo de validade do medicamento.
Outra verificação necessária é comparar se o número do lote, a data de validade e a data de fabricação marcados na caixa do remédio são iguais aos que vêm nas cartelas e frascos.
“Todo medicamento deve possuir o número de registro no Ministério da Saúde”, finaliza o Procon, no relatório.
Dipirona
Bastante utilizado, o remédio à base de Dipirona auxilia no alívio à cefaleia (dor de cabeça), porém, se não pesquisado, pode trazer uma dor no bolso dos consumidores. O analgésico teve variações consideráveis tanto em relação ao genérico quanto ao medicamento de referência.
O frasco de 10 mililitros do genérico do remédio foi encontrado por pesquisadores do Procon a R$ 0,87 em determinada farmácia e, em outra, por R$ 6,40, ou seja, variação de 635%.
Já o medicamento de marca, a Novalgina, teve variação menor, mas não menos surpreendente. Enquanto alguns estabelecimentos comercializam o produto para dor de cabeça por R$ 4,32, outras farmácias e drogarias o vendem por R$ 8,92.
Serviço
A pesquisa completa pode ser conferida no site www.procon.sp.gov.br.