|
Marcello Casal Jr/ABr |
|
|
|
O chamuscamento em uma linha de transmissão não foi confirmado como causa da falta de energia |
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, disse nesta quarta-feira (12) que o relatório enviado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre a queda no fornecimento de energia ocorrida em 4 de fevereiro não será conclusivo. Os motivos da interrupção do serviço, que afetou cidades das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte, não foram apontados.
“O relatório não identificou nenhuma causa originada por falha de proteção, defeito em equipamento, falha de manutenção. Nada disso. O que temos identificado, em um trabalho feito pelo Ministério de Ciência e Tecnologia por meio do Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais], foram descargas atmosféricas na região da linha”, disse Chipp, após participar de audiência pública no Senado.
O diretor-geral explicou, no entanto, que não tem como afirmar que essas descargas tenham sido a causa da queda de energia que, segundo o ONS, atingiu pequena parte do Tocantins, pontos no Acre e Rondônia, e pontos localizados em cidades do Sudeste, Centro-Oeste e Sul. “Não se pode afirmar que foi descarga [atmosférica]. Mas também não se pode descartar isso, uma vez que não se tem nenhuma outra causa física identificada”, argumentou.
De acordo com o relatório, há possibilidades de o "chamuscamento" encontrado em uma das linhas de transmissão não ter relação com o evento. “Houve um chamuscamento de isolador em uma linha [transmissora] da Taesa. Não houve, no entanto, nenhuma indicação na linha da Intesa, que é [outra transmissora] próxima”, disse o diretor do ONS. Além disso, pode ter sido causado por uma descarga anterior.
No dia do apagão, a interrupção afetou cerca de 900 mil unidades consumidoras somente no Rio de janeiro. Também houve desabastecimento na Grande São Paulo e outras regiões de grande densidade. Na época, o Ministério de Minas e Energia disse que não sabia a causa, mas garantiu que o sistema não estava sob estresse. O ONS também descartou que o alto consumo tivesse provocado o problema.
Consumo de energia cresce 7,8% em fevereiro
O consumo de energia elétrica demandada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) cresceu 7,8% em fevereiro deste ano em comparação a igual período do ano passado. A alta, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), deve-se, principalmente, “a ocorrência de temperaturas elevadas e a escassez de chuvas, que levou ao uso intensivo de aparelhos de refrigeração principalmente nos Subsistemas Sul e Sudeste/Centro-Oeste, cujas cargas somadas participam com 78% da carga do SIN”.
Os dados fazem parte do Boletim de Carga Mensal de Fevereiro deste ano divulgado nesta quarta-feira (12) pelo ONS e indicam, ainda, que o maior número de dias úteis no mês também contribuiu para esse resultado, “uma vez que no ano de 2013, o Carnaval ocorreu no mês de fevereiro”.
Quando a comparação se dá com janeiro deste ano, os dados do ONS indicam que a variação positiva foi de 3,6%; enquanto que no acumulado dos últimos 12 meses, o SIN apresentou uma variação positiva de 3,7% em relação ao mesmo período anterior.
Considerando a integração de Manaus ao Sistema Interligado, fato ocorrido a partir do dia 9 de julho do ano passado, a carga demandada ao SIN foi de 70.359 megawatts médio (MW médios), indicando uma taxa de crescimento, no mês de fevereiro deste ano, em relação ao mesmo mês do ano passado de 9,3%.
Para o Subsistema Sudeste/Centro Oeste,os valores de carga de energia verificados em fevereiro indicam uma variação positiva de 7,5% em relação aos valores do mesmo mês do ano anterior. Com relação ao mês de janeiro, verifica-se uma variação positiva de 4,3%.
No acumulado dos últimos 12 meses o Sudeste/Centro-Oeste apresentou uma variação positiva de 2,9%, em relação ao mesmo período anterior. Esta variação deve-se também “à ocorrência de altas temperaturas, com desconforto térmico elevado, se refletindo no uso intenso dos aparelhos de refrigeração e ventilação para uso residencial e comercial”.