10 de julho de 2026
Nacional

Ceagesp: homem é baleado; outros 4 ficam feridos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Um homem foi baleado nesta sexta-feira (14) no tumulto ocorrido durante um protesto na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), na zona oeste da capital paulista. Outros quatro seguranças do local também foram feridos por pauladas e pedradas.

A assessoria da Ceagesp afirmou apenas que o rapaz baleado trabalhava no local, mas não é funcionário da companhia. Segundo um colega de trabalho, a vítima é Wellington Washington dos Santos, 23, que trabalhava no conserto de caixas de madeira. Ele foi atingido por um tiro no abdômen.

O Hospital Universitário da USP afirmou que atendeu um manifestante ferido durante o protesto. A assessoria da unidade não confirmou o tipo de ferimento que ele teve, mas disse que ele foi submetido a uma cirurgia no abdômen e passa bem.

Mais cedo, a Ceagesp chegou a afirmar que seguranças do local atiraram para cima na tentativa de dispersar os manifestantes. Não foi confirmado, porém, como o rapaz ferido foi atingido ou quem teria feito o disparo.

Comerciante aponta prejuízo de até R$ 50 mil


Durante a manifestação de hoje no Ceagesp, os boxes de venda de alimentos ficaram quase vazios. Apenas alguns vendedores cuidavam dos produtos em meio ao corre-corre, lançamentos de bombas de gás lacrimogêneo e disparos de arma de fogo.

Comprador, que é bom, nada. As ruas do local estavam vazias, exceto pelos permissionários da própria Ceagesp.O prejuízo de quem vende frutas, legumes e verduras pode chegar a R$ 50 mil, diz o comerciante Marcio Stival Engels.

Somando o que deixou de vender nesta sexta-feira (14) e deixará de vender no fim de semana --com as portas fechadas para compradores - Engels afirma que os prejuízos são de no mínimo R$ 30 mil.

Hoje à noite ele ainda estava no Ceagesp tentando tirar sua mercadoria. Sem qualquer informação concreta sobre a abertura do lugar nos próximos dias, a reportagem foi que o informou de o local não abrirá no fim de semana.

"Preciso tirar minhas verduras daqui o mais rápido possível. Se eu não conseguir, o prejuízo vai ser incalculável."

Do lado de fora do Ceagesp, Edgar Hamaji ficou por mais de duas horas. Quando parou de ouvir bombas e tiros, o caminhoneiro resolveu entrar. Só que sem o caminhão, que estacionou "por via das dúvidas" do lado de fora.

"Como podem cobrar pra entrar num lugar público, do Estado?", perguntava. Mesmo sendo a favor da manifestação, preferiu ficar de fora.

"Vim comprar R$ 5 mil em frutas, mas já não consegui e vou embora."Nalva Lucinda, que vende abacaxis há dez anos no local disse que pela manhã, deixou de vender R$ 3 mil e que as contas seriam refeitas à noite, para saber o prejuízo do dia.

Ela, que é contra a cobrança do estacionamento, diz não concordar com o rumo que o protesto tomou."Essa cobrança não é boa pra ninguém, nem pra nós, que não pagamos estacionamento, nem pros caminhoneiros, que têm que pagar. Mas protesto com violência, quebra-quebra, sou contra", disse.

"Não vai mais ter movimento hoje", disse o comerciante Cesar Itiki ao lado de seus funcionários, que guardavam couves em caixotes no início da tarde.Segundo ele, os compradores que circulavam pelo local saíram antes das 11h, quando a tensão começou. Com a perda nas vendas de sexta e sábado, Itiki deixou de faturar ao menos R$ 30 mil.

Assustados

Correndo para atrás do balcão de uma das lojas, Vanessa Rodrigues, assistente administrativa da importadora de frutas Hetros, chorava enquanto ligava para uma prima. "Ela viu na TV e tava muito preocupada comigo."

Depois de desligar o telefone, afirmou, ainda estava com medo de a Tropa de Choque invadir os boxes.Outra mulher corria para se esconder, desta vez, atrás de um caminhão. Era Mariana, compradora que não conseguiu sair do Ceagesp antes da confusão. "O que está acontecendo? Esse som é tiro?", perguntava. E correu novamente.