A Polícia Civil de Bauru, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Central de Polícia Judiciária (CPJ), esclareceu o homicídio que vitimou o cabeleireiro José Henrique da Silva, de 48 anos.
Ele foi encontrado amarrado e com 80% do corpo carbonizado dentro do porta-malas de seu veículo Stilo, no dia 15 de outubro de 2013, na quadra 14 da rua Jorge Schneyder Filho, no limite entre os bairros Parque Bauru e Ferradura Mirim.
Após cinco meses de investigações, a polícia conseguiu chegar a Antônio de Oliveira Neto, de 19 anos, vulgo Neto, apontado como o autor, e deu prosseguimento à captura mediante mandado de prisão temporária.
O crime, segundo a tese defendida pelo delegado responsável pelo caso, teria ocorrido com conotação passional mediante suposta relação homoafetiva entre os envolvidos.
Prisão
Antônio foi preso por volta das 18h de anteontem enquanto trabalhava, como auxiliar geral, em um restaurante fast-food.
Em seu depoimento, ele negou a relação amorosa com a vítima, mas confessou ter matado o cabeleireiro, alegando ter sido assediado por Henrique na noite do crime.
“O interrogatório durou ao menos três horas, e ao ser colocado frente a frente com as provas materiais, circunstanciais e testemunhais que tínhamos, ele confessou com riqueza de detalhes e frieza como o matou. Contudo, ele diz que o crime não foi premeditado e que não tinha relação amorosa com a vítima, mas a investigação refuta isso por meio de ligações e mensagens trocadas entre eles 15 dias antes do crime. Também fizemos um levantamento do perfil social da vítima e descobrimos que ela teria uma relação duradoura com esse rapaz, que, inclusive, frequentava o salão”, ressalta o delegado titular da DIG, Kleber Granja.
O crime
Em seu relato, Neto teria detalhado à polícia que, na noite do crime, ele e Henrique teriam combinado de sair juntos. A vítima, então, teria passado para pegá-lo em casa por volta das 2h. O acusado, contudo, afirma que ainda tomava banho no momento e que, ao sair, teria sido surpreendido pela vítima nua dentro de sua casa.
Após uma briga, Henrique foi agredido com socos e, ao cair ao chão, bateu com a cabeça, ficando desacordado.
“Isso explica a lesão no crânio, um corte de aproximadamente 6 centímetros, mas que não foi suficiente para causar a morte”, detalha Kleber. “Está claro no laudo que ele ainda estava vivo quando foi carbonizado e chegou a inalar fuligem”.
Em seguida, Neto amarrou as mãos do cabeleireiro com um fio de extensão e com o cinto da própria vítima, após perceber que o homem estava vivo.
“Cerca de meia hora depois, acreditando na morte do rapaz, decidiu livrar-se do corpo. Pediu etanol a um colega e colocou a vítima dentro do porta-malas. Empurrou o carro pela descida da rua e, depois de estacionar, colocou fogo, com o isqueiro da própria vítima, que era fumante”, aponta o delegado.
As costas e as mãos do rapaz foram os únicos membros que não ficaram carbonizados. No dia do crime, a polícia foi acionada por moradores que usaram extintor para apagar o incêndio.
Após a ação, Antônio teria embalado e jogado no lixo as roupas do companheiro, além de furtar o celular, R$ 250,00 e um par de tênis.
Acusado morava a duas quadras do local do crime
Alguns detalhes sobre o caso chamam a atenção. O autor, segundo o delegado, moraria a duas quadras do local onde o carro foi abandonado queimando. Em seu depoimento ele teria dito, inclusive, ter observado a movimentação das polícias Militar e Civil na madrugada do crime. “Disse que ficou esperando para ver se iriam chegar até ele naquela noite”. Dias depois, Antônio mudou-se de casa e de emprego – trabalhava em um supermercado antes –, fato que chamou ainda mais a atenção da polícia, que já o investigava após as pistas fornecidas por testemunhas. Imagens dos locais que ele frequentou dias após o crime também foram cruciais para que o centro de inteligência da polícia chegasse ao esclarecimento do caso.
“A família reconheceu o tênis furtado da vítima. Era um tênis de quase R$ 1 mil e que não é comum. Encontramos vários detalhes que nos levaram até ele”.