Um protesto contra a cobrança de estacionamento na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na zona oeste de São Paulo, terminou com veículos e prédios incendiados, cancelas e cabines de cobrança depredadas e confronto entre seguranças e manifestantes na manhã desta sexta-feira (14). Cinco pessoas ficaram feridas, uma delas baleada.
Devido aos estragos, o entreposto não irá abrir ao público amanhã e domingo, quando ocorre o tradicional varejão. Localizada na Vila Leopoldina, a terceira maior central de abastecimento do mundo tem 700 mil metros, recebe 50 mil pessoas por dia e movimenta R$ 6 bilhões por ano.
Anunciada desde 2013, a cobrança pelo estacionamento começou anteontem - para os caminhões, até R$ 5,00 por quatro horas. Ontem, dia de maior movimento, as filas irritaram caminhoneiros. Eles dizem que cancelas não abriam após o pagamento e que as filas para sair do local passaram de uma hora.
Revoltados, alguns deles começaram a atacar cabines de cobrança no portão 3, ateando fogo e quebrando vidraças e máquinas. A Ceagesp fala em ação orquestrada por “bandidos” infiltrados.
Por volta das 10h, o protesto se espalhou e o grupo passou a atacar prédios e veículos da companhia. Um guincho e uma picape foram totalmente queimados.
O confronto com seguranças ocorreu quando manifestantes tentaram invadir a gerencia do local. Wellington Washington dos Santos, 23 anos, que trabalha no conserto de caixas de madeira, foi baleado no abdome. Levado ao hospital, ele passou por cirurgia e seu estado era estável.
Prejuízo de até R$ 50 mil
Durante a manifestação desta sexta na Ceagesp, os boxes de venda de alimentos ficaram quase vazios. Apenas alguns vendedores cuidavam dos produtos em meio ao corre-corre, lançamentos de bombas de gás lacrimogêneo e disparos de arma de fogo.
Comprador, que é bom, nada. As ruas do local estavam vazias, exceto pelos permissionários da própria Ceagesp.
O prejuízo de quem vende frutas, legumes e verduras pode chegar a R$ 50 mil, diz o comerciante Marcio Stival Engels.
Somando o que deixou de vender ontem e deixará de vender no fim de semana - com as portas fechadas para compradores - Engels afirma que os prejuízos são de no mínimo R$ 30 mil.
Na noite desta sexta-feira, ele ainda estava na Ceagesp tentando tirar sua mercadoria. Sem qualquer informação concreta sobre a abertura do lugar nos próximos dias, a reportagem foi que o informou de o local não abrirá no fim de semana.
“Preciso tirar minhas verduras daqui o mais rápido possível. Se eu não conseguir, o prejuízo vai ser incalculável”, reclamou.