Hoje eu posso reclamar do dia ou agradecer por ele./ Optando pela primeira opção sei que não irá mudar em nada,/ aliás, poderá mudar para pior./ Então escolho a segunda opção./ Agradecendo me conecto com a minha luz interior/ e me ligo diretamente com Deus./ Gratidão ... todos os dias.
O texto acima de autoria desconhecida e um outro bastante parecido, com o título de “hoje eu posso escolher”, rodam a internet, as redes sociais e são muitas vezes atribuídos a um discurso de Charles Chaplin, o Carlitos, cineasta e ator dos lendários filmes mudos. Dizem isso, mas não há confirmação. Uma pena. Claro que conhecer o autor é ótimo. E é justo. Mas para o espírito desta matéria não faz muita diferença. O que se quer é falar sobre gratidão. Um sentimento que melhora o sono, diminui a ansiedade e atua até diretamente no combate à depressão.
Monge
O monge beneditino David Steindl-Rast vem há anos divulgando uma mensagem de gratidão. Recentemente ele esteve no Fantástico, na Globo, compartilhando suas ideias. Mas o melhor é fácil de encontrar na internet. Em uma palestra de pouco mais de 14 minutos divulgada recentemente no site TED.com, e sem qualquer apoio audiovisual, o monge nos lembra que todos nós, de qualquer cultura, etnia, credo ou profissão, temos algo profundo em comum: o desejo de ser feliz. E ousa dar uma receita: o caminho mais fácil e imediato para a felicidade é... a gratidão. Basta você dar um “find” no seu navegador, procurar pelo nome dele e encontrará a sua mensagem.
E claro, “perder” 14 minutos ouvindo o que ele tem a dizer. Uma mensagem simples e poderosa. David nos lembra o que é dar graças: é parar por um instante para olhar ao redor e reconhecer as oportunidades que temos, e lembrar que, mesmo se algo dá errado, a vida nos dá a seguir a oportunidade de tentar de novo. O que já é um bom motivo para agradecer.
Se eu falar muito obrigado, resolve?
Simples assim? Basta falar obrigado, obrigado, muito obrigado. Agradecer todos os dias por mais um dia e tudo muda, já resolve? “Sim, sim, sim”, responde Wilian Washington Gagliardi, terapeuta holístico, mestre em tai chi chuan e estudioso das terapias reikianas e de PNL - Programação Neurolinguística. Ele próprio um estudioso do poder da gratidão, que aplica nos seus pacientes.
O mestre conta como funcionam no nosso cérebro as orações e palavras de agradecimento. “O poder craitivo dentro de nós gera uma imagem daquilo em que concentramos nossa atenção. A egrégora (energia) que acompanha as palavras funcionam positivamente ou negativamente. Portanto, quando eu agradeço, a egrégora da gratidão funciona positivamente a meu favor. Com isso, a gratidão alimenta nossa fé”.
Ele explica que “com um coração agradecido, a mente espera coisas boas, a expectaiva se transforma na fé. Daí entra em ação a lei da ação e da reação, a que diz que o plantio é livre, mas a colheita é obrigatória e você vai colher exatamente o que plantou”. E já que o agradecimento é uma emoção positiva “que tal começarmos o dia agradecendo por poder abrir os olhos, levantar da cama, respirar, ver o nascer do sol, colher os frutos do dia até ver o pôr-do-sol?”.
Foco no presente
E se a pessoa é grata, agradece, agradece, planta e em vez de ter uma enorme colheita vem um único tomate na horta. Não é para se revoltar? Precisa agradecer assim mesmo? “No meu ponto de vista”, diz Wilian Gagliardi, “cada escolha tem seu preço. Se veio um só tomate, agradeça, foi o resultado da sua escolha, da emanação da sua energia, agradeça mesmo assim, porque daí outros tomates virão”. Ele lembra que “deve-se insistir nesse sentimento, porque ser grato faz com que tomemos consciência do maior presente que a vida nos dá: o hoje. A gratidão nos aproxima das pessoas, nos faz viver bem o agora é um antídoto para a amargura do ressentimento, nos mantém no presente”. Ou seja, as agruras do passado deixam de existir.
Sentimento relativo
É preciso ter claro: ser grato é um sentimento relativo e individual. De repente você está triste com sua renda atual. A única maneira de eliminar essa insatisfação é compará-la com outra. Não há nada de errado em querer ganhar mais e talvez sua renda não seja exatamente o que deseja ou precisa, mas se comparada à de países menos desenvolvidos e outras culturas, até mesmo o salário mínimo brasileiro é dos mais generosos. Há sociedades e países em que as pessoas têm uma renda anual que não passam de U$ 180 dólares. Ou seja, o que é o mínimo aqui, é o rendimento de uma pessoa pelo ano inteiro de trabalho. Visto sob essa ótica não dá para agradecer?
Outro exemplo: você está lendo, há milhares de analfabetos neste Brasil, até mesmo centenas na nossa periferia. Pessoas que não tiveram a oportunidade de aprender a leitura como você teve. Isso não é motivo para agradecer?
Força poderosa
Assim, a gratidão é uma das forças mais poderosas do ser humano. A partir do momento em que lembrar que sua vida está repleta de coisas boas a agradecer, você perceberá uma onda de positivismo e, através dela, mais proveitos ainda estarão por vir e virão. No momento em que enviar essas vibrações positivas e agradecidas, essa lei do universo não falhará.
Afinal, quando a gente encontra alguém extremamente agradecido pelo que possui, um casebre (quando temos uma casa) de um cômodo, mesmo diante de circunstâncias que não são aparentemente as ideais, qual é a mensagem que fica? A do positivismo.
Dia de Ação de Graças
Longe de ser um feriado com conotação religiosa e nem comercial (na verdade, o dia seguinte é que marca o início das vendas do final de ano) O Dia de Ação de Graças (conhecido em inglês como Thanksgiving Day) é um feriado celebrado maioritariamente nos Estados Unidos e Canadá. Nos Estados Unidos é celebrado na quarta Quinta-feira de Novembro, e no Canadá, na segunda Segunda-feira de Outubro.
Como o próprio nome diz o Dia de Ação de Graças é um dia onde as pessoas se juntam para demonstrarem a sua gratidão a Deus e outras pessoas pelas bênçãos e coisas boas recebidas durante o ano. E o princípio é justamente esse: agradecer, nem que seja apenas pelo fato de viver. Assim, as crianças lá aprendem a focar no que se tem. Focar no que não se tem, impulsiona o sistema cerebral para uma vibração negativa e leva ao desequilíbrio.
Pense nisso
Se você der um presente a alguém que não se mostra grata ao receber, não demonstra entusiasmo, no futuro não vai querer presentear de novo, não é mesmo? Assim é com a vida, se não agradecermos, ela não nos dará mais benesses.
Sempre revelamos nosso maior desejo através da gratidão e nosso maior medo através da ingratidão. Essa lei funciona, em nosso benefício ou não. Cuide do que pensa.
O ingrato não multiplica o que tem. Ele sempre acha que nada tem. Sempre quer mais e mais, vive a vida com carência e necessidades. Isso não é felicidade.
Pergunte-se sempre, se tiver dificuldade de agradecer, quanto pagaria para ser saudável se estivesse com uma doença terminal? Quanto valeria levantar-se da cama todas as manhãs? Não há preço para isso.
Aprenda a agradecer
Pode parecer simples, mas para quem vem de uma cultura de lamentação, de ladainhas de reclamação não é fácil de tornar a gratidão um hábito diário. Para isso é preciso mudar os costumes. Aqui vão alguns passos fáceis de seguir:
Reconheça que há em você o gosto pela reclamação. Pense assim: não é isso, apenas eu me esqueço de agradecer. Já estará se perdoando por ter sentimentos negativos.
Fuja da “vitimização”. Frases como: “Só comigo acontece isso”, funcionam como uma prisão interna. Faça da gratidão uma constante e da reclamação uma raridade.
Agradeça todos os dias, ao acordar, por acordar, pelo novo dia, pelas novas oportunidades, por ter dormido. Seja específico no agradecimento: “Agradeço a cama quentinha, agradeço o raio de sol, agradeço a chuva, agradeço o café, agradeço este pão, meus pais, minha família, meus filhos, minha saúde”.
Seja específico, mas deixe de lado o negativo. Exemplo: existe uma frase famosa assim “agradeço por ter um calçado para vestir quando tantos estão descalços”. Não. Isso vai remeter seu cérebro a uma imagem de privação.
Apenas diga agradeço por ter um calçado. Seu cérebro ficará com a imagem positiva impregnada nele.
Motivos para agradecer não lhe faltarão. E até mesmo os motivos negativos são benéficos. Se você está doente, agradeça a oportunidade que está tendo para desenvolver novas potencialidades, ficar mais forte, virar a própria mesa.
Efeito no cérebro
São inúmeros os estudos científicos e todos chegam à mesma conclusão: quem sabe agradecer é muito mais feliz. E mais: consegue atrair coisas melhores para sua vida. Em saúde, em convivência e até mesmo em abundância financeira. Quem agradece costuma conseguir o que quer de forma mais fácil do que quem reclama e fica na amargura. Isso porque esse sentimento traz um efeito positivo ao cérebro e, consequentemente, a pessoa luta pelo que quer de forma mais eficaz. Assim, quem agradece e não lamenta, vai se destacar mais nos estudos, no trabalho e progredir. Simples assim.
Gratidão e orgulho
Um dos estudos científicos mais importantes é o do brasileiro Jorge Moll em conjunto com o americano Jordan Grafmann. Neurocientistas, eles estudam as emoções de cunho moral e seus efeitos no cérebro, na saúde e na vida de cada pessoa. Eles descobriram que orgulho e gratidão são duas emoções muito parecidas.
Quando fazemos algo bom e criamos consciência disso, ficamos orgulhosos. Pode ser ir bem numa prova, conquistar um lugar desejado no pódio, fazer um gol numa decisão, aprender a dirigir um carro, qualquer coisa. Esse sentimento de orgulho nos dá alegria numa certa medida. E é resultado de nosso esforço pessoal. Isso mexe com o nosso corpo e traz um sentimento tão bom, ao qual chamamos de felicidade.
Mas e, quando as coisas boas acontecem por ação dos outros? Ficamos gratos, não é mesmo? Se alguém nos dá um presente, se encontramos um dinheiro inesperado, se vem a promoção desejada, ficamos gratos. A ação não foi nossa. Então, não há motivo para o orgulho.
Aprender a agradecer
O estudo mostrou que, no cérebro, todas as áreas afetadas pelo orgulho de uma grande conquista são exatamente as mesmas que temos quando somos gratos. A felicidade está presente ali, e traz benefícios em liberação de hormônios e outras substâncias que fazem a gente ficar cada vez mais de bem com a vida, a curar feridas da alma.