09 de julho de 2026
Política

IPTU de Bauru tem emendas que ampliam benefícios

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Mais uma vez, os vereadores adiaram a votação do projeto que pretende conceder isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para os beneficiários do programa federal “Minha Casa Minha Vida” que possuam renda de até três salários mínimos. O sobrestamento foi provocado por uma enxurrada de 10 emendas, sendo que muitas delas desfiguram completamente a iniciativa do governo municipal.

 

Divulgação

Boletos que serão entregues aos contribuintesaté dia 26 de março

Após mais de uma hora de paralisação dos trabalhos, as comissões internas da Câmara Municipal apreciariam o teor das emendas em plenário. No entanto, o relator nomeado pela Comissão de Justiça, Lima Júnior (PSDB), pediu prazo para se manifestar sobre a legalidade das propostas de iniciativa parlamentar.

 

O próprio tucano é autor de uma dessas emendas. Como mostrou o JC na semana passada, ele propõe ampliar a isenção do imposto para todos os aposentados que só possuam um imóvel e tenham renda de até três salários mínimos. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) já declarou que a sugestão é impraticável.

 

Na sessão desta segunda-feira (17), porém, Roque Ferreira (PT) foi além e propôs emenda com o objetivo de isentar de IPTU todos os cidadãos cuja renda familiar não ultrapassar R$ 1.600,00. 

 

Já Paulo Eduardo de Souza (PSB) quer isenção – por dois anos – também para os imóveis financiados junto a instituições bancárias e subsidiados pelo “Minha Casa Minha Vida”. Essa modalidade do programa é destinada a famílias com renda de três a 10 salários mínimos.

 

Crítica

 

Uma das emendas que causou maior espanto até mesmo aos vereadores foi a de Raul Gonçalves Paula (PV). O texto pretende conceder o benefício para os proprietários de imóveis tombados. O vereador é dirigente do hospital Beneficência Portuguesa, que tem a fachada tombada.

 

“Atualmente, já há descontos de 50% ou 75%, mas a diferença não cobre o custo para manter as características que o conselho responsável pelos imóveis tombados exige”, justifica.

 

Apesar de criticar o governo pela proposta de isenção de IPTU – sendo que, no ano passado, Agostinho alegava dificuldade financeira para defender o reajuste do tributo em índices acima da inflação -, Raul também quer reduzir em 50% o valor do imposto para pessoas com deficiência que sejam dependentes de seus familiares para seus cuidados e sobrevivência.

 

Demanda dirigida

 

As unidades do “Minha Casa Minha Vida” destinadas a famílias com renda de até três salários mínimos são destinadas por sorteio ou a moradores de áreas de risco ou irregulares.

 

Há emenda assinada por diversos vereadores que propõe a limitação da isenção do IPTU para esses casos, conduzidos de mais perto pela Sebes. Outra emenda coletiva reduz o tempo do benefício de 10 para 5 anos.

 

O presidente Sandro Bussola (PT) critica estas propostas. “Em todo o Brasil, toda a população atendida pelo ‘Minha Casa’ recebe esse benefício. Não há por que ser diferente aqui”.

 

A proposta do governo em isentar os beneficiários tem como objetivo combater dois problemas já apontados pelo JC -  a venda ilegal de imóveis de interesse social antes da quitação e a incapacidade financeira dos contemplados em arcarem com o chamado ‘custo cidadão’. Caso o texto seja aprovado, já em 2014 o governo vai renunciar à receita de R$ 358.540,00. Em 2015 esse valor será majorado em, pelo menos, R$ 153.660,00, totalizando R$ 512 mil. 

 

Vereadores exigem retomada de imóvel 

 

Nesta terça-feira (18), os parlamentares de Bauru devem oficiar o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) exigindo que área de 200 mil metros quadrados, localizada no Distrito Industrial e avaliada em R$ 30 milhões, seja retomada pelo poder público municipal. Atualmente, o terreno e as cinco edificações estão sob a posse da Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf).

 

No entanto, em novembro do ano passado, reportagem do JC mostrou que a entidade pretendia alugar o imóvel, já que viu sua atuação ser reduzida em função de seus funcionários que atuavam no Hospital do Centrinho.

 

A vereadora Telma Gobbi (PMDB) levou a situação, mais uma vez, à sessão da Câmara Municipal, alegando que a administração deveria retomar o espaço para destiná-lo a empresas que produzam e gerem empregos em Bauru.

 

Logo em seguida, Lima Júnior (PSDB) sugeriu a elaboração de um ofício solicitando providências imediatas por parte do prefeito. “Caso contrário, nós vamos tomar as nossas. Nem que, para isso, precisemos ir à Justiça”, pontuou o tucano. O presidente Sandro Bussola (PT) acatou a ideia.

 

Vale lembrar que a Funcraf não recebeu o imóvel diretamente da prefeitura, mas da empresa Behring, fabricante de medicamentos que tinha a concessão da área e encerrou suas atividades no local há mais de 10 anos.