08 de julho de 2026
Geral

Índios pretendem destituir a direção da Funai

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Lideranças indígenas estão descontentes com a atuação da Coordenadoria Técnica Local (CTL) da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Bauru. O órgão estaria tomando decisões importantes sem sequer ouvir as comunidades. É o que denuncia o presidente do Conselho Estadual dos Povos Indígenas de São Paulo (Cepisp), Marcilio Marcolino.

 

Para Marcolino, a atual coordenadora do órgão, Mauria Pereira de Miranda, foi indicada pelo antigo chefe, Amaury Vieira, sem o consenso dos caciques. 

 

“Fica uma situação muito chata para nós, porque queremos organização. Os caciques ficaram nervosos com isso e entraram em contato com o Cepisp para resolver a situação”, explica.

 

O líder do Cepisp acrescenta que a direção da CTL em Bauru é negligente junto às aldeias. Exemplo disso é o abandono do órgão em relação à Terra Indígena Araribá, em Avaí (39 quilômetros de Bauru). Marcolino conta que os 600 índios de lá não recebem subsídios do governo federal para a agricultura, principal meio de subsistência da comunidade.

 

“Primeiro, eu fui chamado por conta da troca da coordenação da CTL sem o consenso dos líderes das aldeias da região. Depois, os caciques entraram em contato comigo novamente, porque a comunidade da Terra Indígena Araribá, em Avaí, não tem o apoio da Funai para a manutenção das máquinas utilizadas no plantio”, frisa.

 

Paulo Roberto Sebastião, que é da Terra Indígena Araribá e também vereador de Avaí, diz que a comunidade só não está completamente abandonada porque recebe auxílio da prefeitura, responsável pela manutenção das máquinas utilizadas na agricultura. “Se não fosse a prefeitura, estaríamos perdidos, porque a Funai sequer vai até lá”, desabafa.

 

Perda de autonomia

 

Em março de 2012, a Administração Executiva Regional (AER) da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Bauru, foi transferida para a cidade de Itanhaém, no litoral paulista. Com isso, houve diminuição do efetivo e perda de autonomia administrativa, o que transformou o órgão em Coordenadoria Técnica Local (CTL).

 

Com a modificação, o administrador da AER, Amaury Vieira, assim como metade da equipe do órgão em Bauru – que antes era formada por 22 funcionários – foi para o litoral paulista. Quando saiu do cargo em Bauru, Vieira indicou a então coordenadora Mauria Miranda para substituí-lo. 

 

Fundação tomou conhecimento

 

De acordo com a assessoria de imprensa da Funai, em Brasília, o órgão já tomou conhecimento da reivindicação das lideranças indígenas da região de Bauru. O presidente do Cepisp, Marcilio Marcolino, enviou um pedido que chegou na última sexta-feira na sede do órgão. 

 

Porém, a assessoria acrescenta que os membros da instituição participam de uma reunião de planejamento nesta semana, fato que atrasará um pouco a análise do pedido de Marcolino. Por outro lado, a assessoria garantiu que o caso será analisado o mais breve possível.