10 de julho de 2026
Geral

Prisões e greve agravam lotação em cadeias de São paulo

Folhapress
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Entidades que representam os agentes penitenciários no Estado informaram que, caso não haja acordo com o governo estadual, as visitas aos presos no final de semana serão suspensas

A lotação nas cadeias públicas da região de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) se agravou no final de semana sem a transferência dos presos para as penitenciárias por causa da greve dos agentes prisionais.

De acordo com levantamento feito a partir das informações policiais, a lotação ultrapassou em 66% a capacidade em quatro cadeias da região: São Carlos (232 km de São Paulo), Batatais (352 km), Severínia (419 km) e Santa Rosa de Viterbo (283 km).

Hoje, tem 171 presos. Já na sexta (14), tinham 150. Juntas, as cadeias têm capacidade para 103 presos. Caso nenhuma solução seja tomada, a situação pode piorar. Hoje, a greve dos agentes penitenciários entra no oitavo dia.

Segundo os policiais, as cadeias estão abrigando presos que já deveriam estar em CDPs (Centros de Detenção Provisória), onde ficam à espera do julgamento judicial. A cadeia de Santa Rosa do Viterbo, que tem capacidade para abrigar 36 presos, recebeu 11 detentos no final de semana e até esta segunda estava com 56, segundo a Polícia Civil.

Em São Carlos, que tem 30 vagas, abrigava 45 nesta segunda. Do total, 18 deles aguardam transferência para o CDP de Araraquara (273 km de São Paulo).

"Os presos estão sendo remanejados, mas se a greve não acabar, não sabemos como será. Está ficando tudo lotado", afirmou Célio Antonio Santiago, vice-presidente do Sinpol (Sindicato dos Policias Civis da Região de Ribeirão Preto).

Segundo ele, em quatro dias a situação pode se agravar, com riscos. Segundo o setor de comunicação social da Delegacia Seccional de Ribeirão, as cadeias receberam reforço de policiais por segurança.

O delegado seccional Adolfo Domingos da Silva afirmou que nenhum preso ficará em distrito policial.

Entidades que representam os agentes penitenciários no Estado informaram que, caso não haja acordo com o governo estadual, as visitas aos presos no final de semana serão suspensas.

"Os detentos e os familiares já foram informados", disse João Alfredo de Oliveira, do sindicato dos funcionários prisionais.

Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária, 88 unidades foram afetadas pela greve.

Protesto

Agentes penitenciários em greve no Estado organizaram um protesto na manhã desta terça-feira (18) em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, em São Paulo.

De acordo com o Sindasp (Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo), a previsão é de que saiam ônibus das cidades de Presidente Prudente (558 km de São Paulo), Ribeirão Preto, São José do Rio Preto (438 km) e Andradina (627 km).

Os manifestantes deverão se concentrar na praça Vinícius de Moraes, na capital. De lá, realizarão uma passeata em direção ao palácio.

Em nota, a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) informou que mantém diálogo com a categoria e que espera que seja cumprida a decisão judicial, que proíbe os agentes de impedir a transferência de presos.

A decisão também proíbe que os agentes impeçam os detentos de receber assistência jurídica e familiar. As coordenadorias regionais deverão realizar um levantamento sobre possíveis descumprimentos da liminar e o balanço será enviado à Justiça, segundo a SAP.

A decisão foi publicada na última sexta-feira. O Sindasp e o Sinfuspesp informaram que não foram notificados de nenhuma decisão da Justiça.