08 de julho de 2026
Polícia

Caminhão levava celulares ao CPP de Bauru

Vítor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Não é de hoje que se sabe que os bandidos comandam o crime de dentro dos presídios. Ontem, mesmo com a greve dos agentes penitenciários, o abastecimento dessa comunicação criminosa foi prejudicado em Bauru. 36 telefones celulares foram achados em um caminhão que tentava entrar no Centro de Progressão Penitenciária 1 (CPP 1, antiga P1). A empresa bauruense presta serviço há oito anos ao presídio.

João Rosan

Os 36 celulares foram localizados após vistoria, por meio de raio-x, na entrada da unidade prisional

O carregamento foi descoberto por volta das 14h pelos próprios agentes em vistoria de rotina. O caminhão era guiado pelo proprietário da empresa, um homem de 47 anos (o nome não foi divulgado pela polícia) que alegou não ter conhecimento dos celulares.

“Ele disse que o caminhão foi carregado por um funcionário seu e ficou em frente ao presídio desde as 7h da manhã. Disse não saber de nada”, explica o delegado plantonista José Dorneles Costa.

Esse funcionário citado pelo proprietário já teria tido um problema semelhante há cerca de quatro meses na mesma unidade prisional. “Essa é a versão dele e o caso será investigado”, complementa o delegado.

O homem foi conduzido à Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde prestou depoimento. Foi elaborado um Termo Circunstanciado (TC) baseado no artigo 349-A do Código Penal, que versa sobre “a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, sem autorização legal, em estabelecimento prisional”. A pena prevista é entre três meses e um ano de detenção.

“Como é um crime considerado de menor potencial ofensivo, ele assinou esse termo circunstanciado e foi liberado”, conclui Dorneles.

Todos os celulares foram apreendidos e o caso será investigado pela Polícia Civil.

Caixas marcadas

O caminhão estava carregado com 40 caixas repletas de clipes e grampos. Três delas, porém, estavam marcadas de caneta. Ao passar pelo raio-x, veio a surpresa. Nelas, estavam os aparelhos celulares.

Enquanto aguardava na CPJ, o proprietário da empresa não quis falar com a reportagem. O advogado de defesa, Fábio dos Santos Rosa, confirmou preliminarmente a versão apresentada pelo seu cliente à polícia. “Mas prefiro falar após tudo resolvido”, disse.

Por volta das 20h, o JC tentou contato com ele, porém, até o fechamento desta edição, o advogado não retornou as ligações.

R$ 54 mil

Um dos grandes motores da articulação da criminalidade, o comércio de celulares é algo lucrativo. Conforme o JC apurou extraoficialmente, cada um dos celulares renderia R$ 1,5 mil se a encomenda fosse entregue com sucesso ontem. Seria um total de R$ 54 mil.

Em reportagem publicada no ano passado, foi evidenciado que o uso de celulares nos presídios não é algo incomum.

Só no primeiro semestre de 2013, foram apreendidos 946 aparelhos nas três unidades prisionais em Bauru. Desses, um caso chamou a atenção: um reeducando do CPP 2 chegava a acessar o Facebook de dentro do presídio.