08 de julho de 2026
Regional

Servidora falta, mas ponto é assinado

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Após denúncia feita por um vereador, a Polícia Civil de Pederneiras instaurou inquérito para apurar suposto crime de falsidade ideológica envolvendo servidora de uma creche. Apesar de estar ausente do trabalho desde o último dia 10, a funcionária teria assinado o livro de ponto até o dia 17. O documento foi apreendido para perícia e a prefeitura instaurou processo administrativo para investigar o caso.

Segundo o delegado titular da cidade, Eduardo Herrera dos Santos, o fato chegou ao conhecimento da polícia anteontem, quando o vereador Mauro Gonçales Teixeira (PSDB), o “Mauro Soldado”, entregou na delegacia cópia do registro de ponto da auxiliar de desenvolvimento infantil Isaura de Oliveira Pelegrineli, que trabalha em uma creche municipal no bairro Maria Elena Pereira Bertolini.

O parlamentar registrou boletim de ocorrência de falsidade ideológica alegando que a servidora viajou para o exterior e, desde 10 de março, não comparece ao trabalho. Apesar da ausência, o livro de ponto dela foi assinado até o dia 17. Com autorização da Justiça, o delegado adjunto do município, Adriano Cres, cumpriu mandado de busca na creche, apreendeu o documento e instaurou inquérito para apurar o caso.

“Quando ela voltar de viagem, nós vamos colher material caligráfico dela e vamos encaminhar essa coleta de material com o livro que a gente tem para exame grafotécnico no Instituto de Criminalística (IC) de Bauru”. A servidora pública não foi localizada para falar sobre o assunto.

Processo administrativo

A secretária de Administração da prefeitura, Danieli Martini Mosela, revela que será instaurado processo administrativo para apurar a conduta da servidora, que foi nomeada para o cargo concursado no dia 3 de janeiro deste ano.

Ela conta que a Secretaria de Educação lhe enviou relatório comunicando a ausência de Isaura desde o dia 10 e pedindo o desconto dos dias caso não houvesse outro apontamento no setor de administração, como licenças médica ou gestante.

“Ela cometeu um erro porque ela não deveria ter assinado (o livro de ponto). Eu verifiquei que não consta nada aqui, não tem nenhum lançamento, licença, atestado. De posse desse relatório da Educação, eu descontei esses dias dela”, afirma.

Apesar do suposto erro, Mosela criticou a atitude de três vereadores, que teriam entrado na creche e tirado foto do livro de ponto sem autorização da diretora. “Eles são vereadores e teriam que usar os meios legais”, declara.