O Brasil liderou, em Santiago, apenas pela segunda vez o quadro geral de medalhas dos Jogos Sul-Americanos. A outra havia sido "em casa", na edição de Belém-2002.
Mas os mais de 230 pódios obtidos no Chile são um resultado à parte. E não iludem nem mesmo o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), que considerou o evento uma importante etapa na preparação para a Olimpíada do Rio-2016.
Para Jorge Bichara, gerente geral de performance esportiva do COB, o número de modalidades com atletas com potencial de ir a pódios internacionais está aquém do esperado, já que o objetivo é que o país fique no top 10 em 2016.
Nas contas do dirigente e do comitê, é necessário que 19 modalidades tenham possibilidade de pódio. Em 2013, ano em que o COB propalou ter sido o "melhor pós-olímpico" do esporte brasileiro em sua história, foram apenas 13 laureadas em Campeonatos Mundiais e equivalentes -num total de 27 medalhas, de acordo com levantamento do COB.
"É claro que ter obtido quase 30 medalhas em 13 modalidades em 2013 foi bom, mas é preciso estar acima disso", afirmou Bichara, em Santiago.
"Com certeza algo vai dar errado, então precisamos ter um certo lastro, que hoje ainda não existe", disse. Novo levantamento será feito ao final desta temporada.
No ano passado, três esportes sem tradição olímpica no país conquistaram pódios internacionais relevantes: canoagem, maratona aquática e handebol feminino.
O COB, além do top 10 em 2016, tem como meta terminar os Jogos com cerca de 30 medalhas. Na Olimpíada de Londres-2012, o país terminou na 22ª posição, com 17 pódios, obtidos em oito modalidades (judô, natação, vôlei, vela, boxe, futebol, ginástica artística e pentatlo moderno).
"Temos feito reuniões e discutido muito com as confederações sobre o que fazer para aumentar a chance de conquistas", completou Bichara.
O atletismo é um exemplo. O esporte, que "zerou" em Londres, terá um acompanhamento especial para 42 atletas de 11 provas com potencial de melhora até a Rio-2016.
O Brasil nunca dispôs de tanto dinheiro quanto neste ciclo olímpico. No que toca ao governo federal, os investimentos devem chegar a R$ 2,5 bilhões, que serão distribuídos por meio do Plano Brasil Medalhas a atletas e técnicos.